Agente de trânsito entra com recurso no STJ contra juiz parado em blitz

Agente de trânsito entra com recurso no STJ contra juiz parado em blitz

Luciana Tamburini foi condenada a indenizar magistrado em R$ 5 mil por dizer que 'juiz não era Deus'; parte do dinheiro da vaquinha foi doado

Redação

15 de janeiro de 2015 | 18h26

Por Julia Affonso

A agente de trânsito Luciana Tamburini, condenada a pagar R$ 5 mil ao juiz João Carlos de Souza Correa, parado em uma blitz da Lei Seca no Rio, entrou com um recurso no Superior Tribunal de Justiça, na terça-feira, 13. Agora, ela espera que a indenização devida ao magistrado seja cancelada.

Em fevereiro de 2011, a servidora estadual trabalhava na Operação na Lagoa, zona sul da capital fluminense, quando o carro do juiz foi parado em uma blitz. A caminhonete não tinha placas e documentos e o juiz estava sem a carteira de motorista. Segundo ela, o magistrado achou que ela estivesse sendo abusada na abordagem e disse que ela deveria ser levada para a delegacia. Neste momento, a agente conta que disse: “Ele quer, mas não é Deus.”

Luciana doou cestas básicas com o dinheiro arrecadado na vaquinha. Foto: Arquivo Pessoal

Luciana doou cestas básicas com o dinheiro arrecadado na vaquinha. Foto: Arquivo Pessoal

Para a Justiça fluminense, a agente agiu com abuso de poder ao abordar o juiz. Na sentença do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, proclamada em outubro de 2014, o desembargador responsável pelo caso afirmou que a servidora ofendeu o juiz, “mesmo ciente da relevância da função pública por ele desempenhada”.

Indignados com a decisão judicial, internautas criaram uma vaquinha online para arrecadar o valor da indenização da agente, que recebe cerca de R$ 3.7 mil mensais de salário. A quantia chegou a R$ 27 mil.

“Recebi o dinheiro e doei R$ 20 mil. Compramos cestas básicas e entregamos no Morro do Salgueiro, na Tijuca, perto de onde eu moro, e doamos material escolar a uma ONG do Morro do Alemão”, afirmou. “Guardei R$ 7 mil para ver se eu vou precisar usar no processo. Espero que não.”

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