Agente da PF diz ter transportado dinheiro de operador do PMDB

Agente da PF diz ter transportado dinheiro de operador do PMDB

Jayme Oliveira Filho, que fazia o 'delivery da propina', afirmou ter levado e buscado valores em empresa investigada pela Lava Jato, em São Bernardo do Campo, por ordem de Fernando Baiano

Redação

28 de janeiro de 2015 | 17h17

Atualizada em 29/1, às 19h51

Por Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

Em termo de declaração prestado à Polícia Federal, o policial Jayme Alves de Oliveira Filho, acusado de trabalhar no “delivery da propina” montado pelo doleiro Alberto Youssef, disse que transportou dinheiro a mando do lobista Fernando Antônio Falcão Soares, acusado de ser o operador do PMDB no esquema de corrupção da Petrobrás, alvo da Operação Lava Jato.

Careca, como é conhecido o agente federal que trabalhava para Youssef, revelou que entregou e retirou valores na sede de uma empresa que integra o rol de investigadas pela Lava Jato por pagarem propina a agentes públicos e políticos, em troca de contratos da estatal petrolífera.

“O Fernando Baiano me pediu para pegar um dinheiro na empresa Tomé Guindaste, que fica em São Bernardo do Campo, acho que fui umas duas vezes lá. Não me recordo se fui pegar dinheiro duas vezes ou se fui pegar dinheiro uma vez e levar em outra”, afirmou Careca, em depoimento prestado no dia 18 de novembro à PF.

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Jayme Alves de Oliveira Filho é agente da Polícia Federal. Foto: Reprodução

O acusado apontou ainda o nome de uma pessoa que teria entregue dinheiro para levar para o operador do PMDB . “Na empresa (Tomé) falei com uma pessoa que acho que se chama Laércio. Peguei o dinheiro com o Laércio Tomé e entreguei para o Fernando Baiano.”

Fernando Baiano foi denunciado pelo Ministério Público Federal em dezembro do ano passado e está preso na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba (PR), base da operação. Em resposta à acusação apresentada a Justiça Federal do Paraná, a defesa de ‘Baiano’ pede a anulação dos acordos de delações premiadas feitos até o momento.

No escritório de Youssef, a PF apreendeu um documento contendo uma planilha com o nome ‘Trans careca’. Nela, havia menção a datas e valores de entrega de dinheiro em 2011 a 2013, que teriam chegado a um total de R$ 13.042.800,00.

Um dos nomes da pessoas registradas na planilha é “Baiano”. “Há na tabela a anotação Baiano, que pode indicar a pessoa de Fernando Baiano (Fernando Soares), que, segundo indica, era responsávelpor intermediar repasses de valores desaviados no âmbito da Diretoria Internacional da Petrobrás, podendo indicar o pagamento ao meso no valor de R$ 1.132.250”, registrou relatório da PF.

A data de registro da planilha de suposta entrega é de 15 de junho de 2012. Em seu depoimento, Careca não especificou os dias em que transportou valores a mando de Fernando Baiano, na Tomé.

Fernando Baiano faz exame de corpo de delito em Curitiba, na época de sua prisão, em novembro de 2014. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

Fernando Baiano faz exame de corpo de delito em Curitiba, na época de sua prisão, em novembro de 2014. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

A empresa citada por ele no depoimento é a Tomé Equipamentos e Transportes, do Grupo Tomé, que fica no ABC paulista. Laércio Tomé é o nome do presidente do grupo, que tem também a Tomé Engenharia. O nome empresa havia aparecido em anotações de contribuições políticos feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa.

O policial federal afirmou que entregou dinheiro a um genro do ex-diretor de Abastecimento e confessou que fazia movimentação de valores para Youssef. “Eu transportava, sim, senhor. Ele (Youssef) me dava uma bolsa. Eu não sabia o conteúdo da bolsa. Às vezes, eu sabia que era vinho, mas às vezes sabia que era dinheiro, mas não sabia a quantidade que estava transportando”, afirmou.

Careca era lotado no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. No depoimento, ele contou que tinha relação de amizade com Youssef, que conheceu em Foz do Iguaçu (PR), por volta do ano 2000.

Procurada, a Tomé não retornou as ligações. Fernando Baiano, preso desde novembro do ano passado, tem negado qualquer envolvimento em esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

COM A PALAVRA, A TOMÉ ENGENHARIA.

Em contato com a reportagem, o advogado Sidnei Garcia, representante da Tomé, informou que Laércio Tomé é acionista do Grupo. “Não conhecemos e nunca estiveram em nossa empresa o Sr Jaime e tampouco o Sr Fernando. Soubemos da Operação Lava Jato pela imprensa e não temos conhecimento de qualquer investigação em face da Tomé. Nossos relacionamentos comerciais sempre se deram no âmbito da mais estrita legalidade, e lisura. A Tomé permanece a disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos necessários.”

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