Afinal, para que serve o Clubhouse?

Afinal, para que serve o Clubhouse?

Lais Macedo*

04 de março de 2021 | 03h00

Lais Macedo. FOTO: DIVULGAÇÃO

Grupos de Whatsapp a mil, uma chuva de stories e posts. E por incrível que pareça, convites vendidos pela internet. Sim, estou falando do fenômeno Clubhouse. A expressão “cheguei e era só mato”, passou a ser utilizada por muitos de nós, entusiastas, que ali chegavam totalmente perdidos. Uma ferramenta simples e intuitiva, mas no início, todo mundo com licença poética para muitas gafes.

Bom, e lá vamos nós. Nos meus primeiros cinco dias, passei mais de 40 horas dentro da plataforma. As pendências do trabalho acumularam e virei noites para resolver o problema que eu mesma causei. Também dediquei um final de semana todo nessa imersão. E agora, com um repertório de dias e dias de Clubhouse, venho compartilhar minha experiência.

Para as marcas, o Clubhouse é uma oportunidade de participar de conversas que se conectam com os anseios do seu público-alvo. De forma sutil, mas mostrando relevância. E humanizando-se por meio da inserção de porta-vozes da empresa como influenciadores realmente relevantes para os seus setores de atuação.

E para ser relevante, é preciso trazer temas que realmente engajem o público do Clubhouse. Para mim, as salas que sempre apareceram como recomendação estavam relacionadas aos temas que me conecto, como empreendedorismo, liderança, empoderamento feminino, conexões, mercado e negócios. Mas também vi muitas salas fortíssimas falando de temas mais leves, como o Big Brother Brasil.

Esse é outro ponto que me intriga: os influenciadores. Há quem acredite que aqueles que influenciam em outras plataformas terão o Clubhouse como mais um ambiente, mas aposto, e não sozinha, em uma oportunidade para novas vozes, mesmo porque agora a cena muda. No LinkedIn ou posts no Instagram, por exemplo, você pode terceirizar, preparar um texto bem argumentado e postar, validando ali sua possível autoridade. Já no Clubhouse isso não é possível, diante do cenário imediato com o ao vivo e pessoas desconhecidas orbitando um mesmo tema e ambiente, em jogos espontâneos de perguntas, respostas, comentários e confrontos.

A plataforma terá seu destino realmente formatado quando os usuários de Android estiverem nela, mas já é possível perceber que o número de salas simultâneas é maior e a audiência, agora pulverizada, é menor. Ou seja, temas cada vez mais nichados e novas vozes despontando.

Observei salas que pareciam palestras, e daí nasceu a ideia do Networking Brasil, uma sala com frequência diária, com o objetivo de proporcionar fala a todos que quisessem se apresentar. Com uma bio sempre destinada a uma apresentação inicial da sua vida profissional, esse sempre foi o ponto de partida para as nossas apresentações, sempre seguidas de algum momento de descontração. Alguns dias depois e mais de 400 speakers já falaram na nossa sala.

O ambiente na busca por fala segue acirrado, embora o Clubhouse também nos convide a exercer um precioso poder de escuta. Transitei por vários temas e aprendi muito nos últimos dias, embora tenha realmente dedicado tempo a algo principal: construção de autoridade.

Outro ponto que se discute bastante é sobre o quanto a plataforma é ou não inclusiva. O resultado: estamos vendo muitos pontos positivos em oportunidades, por exemplo, para os deficientes visuais, dado que tudo que existe lá é uma única foto, todo o restante se baseia em áudio. Inclusive, na nossa sala diária, é padrão que se faça sempre, antes de qualquer fala, uma auto descrição da sua foto.

Um importante movimento que tenho conduzido com outras lideranças femininas é a inclusão de mulheres na plataforma. Da prioridade do envio dos nossos convites, liberados esporadicamente pela plataforma, à sala onde a pauta é a jornada da mulher no Clubhouse. Compartilhamos dicas e  fortalecemos essas mulheres para que elas passem a protagonizar seus espaços.

Um fator limitante para essas mulheres se posicionarem em um lugar de fala, tanto no Clubhouse quanto nas outras plataformas, muita vezes está relacionado ao receio de falta de audiência. E isso é muito interessante no Clubhouse, porque hoje você chega lá e tem o mesmo número de seguidores que o Luciano Huck, que também acabou de chegar.

E mesmo que daqui a pouco isso mude, precisamos chegar nessa plataforma com uma nova consciência: o que realmente importante é o impacto que causamos, a influência, assim a audiência se torna secundária. Se você falou para dez pessoas e tocou uma delas, pronto, você influenciou, e assim vamos crescendo nossa voz e possibilidade de impacto.

Como vamos escalar a plataforma, até onde ela é capaz de ir, quanto ela pode agregar valor para as marcas, quais são os movimentos que manterão esse fiel (e agora viciado público) priorizando o Clubhouse à Netflix e Instagram? Veremos! É a resposta que todo mundo quer agora e, acredite, estamos procurando isso em salas com essa pauta no Clubhouse, claro.

*Lais Macedo, CEO do Lide Futuro

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