Afinal, a burocracia no comércio exterior ainda existe?

Afinal, a burocracia no comércio exterior ainda existe?

André Barros*

23 de agosto de 2021 | 08h15

André Barros. FOTO: DIVULGAÇÃO

Geralmente, quando um artigo se propõe a discutir as maiores dificuldades de empresas brasileiras que trabalham com o Comércio Exterior, a burocracia é um item citado com certa frequência. Não por acaso, afinal, trata-se de um obstáculo historicamente reconhecido como um grande entrave para organizações que desejam alcançar um alto nível de produtividade. Hoje em dia, com o cenário de transformação digital cada vez mais consolidado no Brasil e no mundo, o gestor não precisa mais ser refém do assunto em questão.

Além do avanço tecnológico, é natural que ocorram inciativas no campo legal que priorizem a desburocratização do comex, acompanhando uma tendência de modernização que se mostra imprescindível para o setor, por parte do próprio Governo. Mais agilidade em processos de liberação de carga, exclusão de exigências desnecessárias – bem como outras movimentações que potencializam a competitividade entre as companhias, são exemplos de medidas que podem aliviar a burocracia do quadro nacional. Porém, é de suma importância compreender o papel da inovação nesse contexto.

Como a tecnologia se aplica no cotidiano operacional?

As operações que fundamentam todo o processo de comex são complexas, exigindo um planejamento estratégico comprometido com detalhes e especificações legais. Infelizmente, a burocracia ainda é uma realidade presente em nosso país, e seu impacto proporciona um regramento capaz de travar a construção de um gerenciamento objetivo e eficaz, prejudicando os negócios como um todo. Em tempos de crise e instabilidade econômica, o excesso burocrático tende a escancarar a fragilidade da situação, e como os gestores ficam à deriva da realidade brasileira.

Com o intuito de acompanhar novas exigências e respeitar o dinamismo do Comércio Exterior, a transformação digital tem sido acelerada nos últimos anos. Por meio de ferramentas de automatização, a empresa consegue ampliar a capacidade e qualidade de seus procedimentos, de forma integrada e customizável.

Outra consequência benéfica e que minimiza a burocracia é a agilidade adquirida em processos repetitivos, que se conduzidos por colaboradores, podem impactar a integridade dos dados. Sob o comando de soluções inovadoras, a margem para falhas críticas é reduzida, e a velocidade exclusiva à máquina abre espaço para que os profissionais tenham tranquilidade para exercer funções mais estratégicas.

O comex está em constante evolução e é preciso acompanhá-lo

Mudança é uma palavra recorrente no cenário empresarial, isso é fato. Permanecer inerte não é uma alternativa aconselhável para ninguém e, no que diz respeito ao Comércio Exterior, essa pode ser a diferença dos que alavancam seus resultados e os que ficam para trás. Sem dúvidas, o fator tecnológico deve ser levado em consideração pelos que buscam permanecer relevantes em seus respectivos mercados.

Por isso, as lideranças corporativas, detentoras do poder de decisão em suas respectivas empresas, precisam adotar uma visão ampla sobre o assunto, sem desconsiderar o componente externo. Ao optar pela automatização do gerenciamento de processos, o gestor coloca seu negócio em plenas condições de responder às adversidades e o próprio dinamismo do setor.

Encerro o artigo destacando a autonomia de organizações amadurecidas digitalmente. Claro, iniciativas que visem desburocratizar o Comércio Exterior continuarão a surgir, mas não seria preferível contar com um sistema de governança e gestão preparado, desde já, para lidar com entraves burocráticos independentemente das respostas concedidas pelas autoridades responsáveis?

No fim, a tecnologia nada mais é que uma aliada estratégica para que empresas tenham respaldo técnico em prol de resultados positivos, no caso do comex, sem depender de ações realizadas por terceiros. Portanto, se o segmento se encontra em constante evolução e tende a continuar desta forma, os níveis de eficiência operacional serão os mesmos – ou até melhores. Esse é, certamente, um dos maiores trunfos relacionados à transformação digital.

*André Barros é CEO da eCOMEX – NSI

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