Aécio afirma que ‘jamais cogitou’ retirar ação contra chapa no TSE

Aécio afirma que ‘jamais cogitou’ retirar ação contra chapa no TSE

Em conversa gravada pelo executivo da JBS, Joesley Batista, o tucano afirma que a ação foi ajuizada 'só para encher o saco' do PT

Luiz Vassallo

20 de maio de 2017 | 22h53

Aécio Neves. Foto: Wilton Júnior/Estadão

O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, na noite deste sábado, 20, que ele e seu partido ‘jamais cogitaram interromper’ a ação movida contra a chapa presidencial Dilma/Temer, no Tribunal Superior Eleitoral. Em conversa gravada pelo executivo da JBS, Joesley Batista, o tucano afirma que a ação foi ajuizada ‘só para encher o saco’ do PT.

“Lembra depois da eleição? Os filhas da p… sacanearam tanto a gente, vamos entrar com um negócio aí para encher o saco deles também.”, disse Aécio, no diálogo gravado.

O senador afastado ainda diz que Michel Temer pediu que recuasse após o impeachment. “Se eu retirar, não tô nem aí, perco nada, mas o MP assume essa merda.”

Em nota, a assessoria de imprensa de Aécio afirma  ele ‘ou o PSDB jamais cogitaram interromper sua tramitação’.

“O senador também jamais agiu para criar qualquer obstáculo à Lava Jato ou ao trabalho do Ministério Público. Ao contrário, ele sempre se manifestou favorável às investigações”, afirmou.

O processo que pode cassar Temer e punir Dilma vai a julgamento dia 6 no TSE. Ministros avaliam que a delação de Joesley vai influenciar votos.

Aécio Neves também foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista. Os valores teriam sido repassados ao primo do senador afastado, Frederico Pacheco, e as primeiras tratativas foram feitas pela irmã de Aécio, Andrea Neves – estão em posse da Polícia Federal a filmagem dos repasses ao suposto receptor do tucano e conversas de WhatsApp com as solicitações de Andrea. Apesar de justificar que os R$ 2 milhões seriam para bancar advogados de defesa, o dinheiro foi transportado para Mendherson Souza, assessor de Zezé Perrella (PSDB-MG). Neste sábado, Aécio voltou a negar a ‘origem ilícita’ do dinheiro.

“O empréstimo feito pelo empresário da JBS não envolveu recursos públicos e seria regularizado por meio de contrato mútuo se o objetivo de Joesley Batista não fosse, desde o início, única e exclusivamente forjar uma situação criminosa para ganhar os benefícios da delação premiada”, afirmou.

“O senador também jamais agiu para criar qualquer obstáculo à Lava Jato ou ao trabalho do Ministério Público. Ao contrário, ele sempre se manifestou favorável às investigações, conclui.

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