Advogado diz à Justiça que empresário mandou R$ 15 mi para os EUA

Criminalista Fábio Tofic, que defende vice presidente da Engevix, comunicou remessas à Justiça

Redação

21 de novembro de 2014 | 20h24

Por Fausto Macedo e Ricardo Brandt

O criminalista Fábio Tofic Simantob comunicou nesta sexta feira, 21, à Justiça Federal que o engenheiro Gérson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix Engenharia e alvo da Operação Lava Jato, fez remessas de valores para os Estados Unidos no dia 13, um dia antes da deflagração da Operação Juízo Final, sétima fase da Lava Jato – investigação sobre esquema de propinas e corrupção na Petrobrás.

Almada foi preso sexta feira, 14, por ordem judicial. No mesmo dia, a Justiça Federal decretou o bloqueio de R$ 20 milhões de cada empresário sob suspeita.

Em uma conta de Gérson Almada, no Brasil, o Banco Central bloqueou cerca de R$ 22 milhões, atendendo o decreto da Justiça Federal.

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O advogado Fábio Tofic esteve na Justiça Federal em Curitiba, base da Lava Jato, para pedir a revogação da ordem de prisão contra Gérson Almada.

O advogado aproveitou para comunicar verbalmente que o empresário mantém um empreendimento hoteleiro nos EUA, com uma filha americana. Os recursos transferidos, no valor total aproximado de R$ 15 milhões, serão empregados na ampliação do hotel. Uma parte da remessa ocorreu no dia 13.

“Todas as operações foram declaradas ao Banco Central, o hotel nos Estados Unidos é do conhecimento das autoridades brasileiras”, observou o criminalista. “Por uma questão de respeito à transparência e em absoluta lealdade para com o juiz (Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato) resolvi fazer essa comunicação em caráter verbal.”

Fábio Tofic pondera que se o empresário tivesse intenção de pulverizar seus ativos para evitar o embargo judicial o Banco Central não teria localizado R$ 22 milhões em sua conta. “Se ele (Gérson Almada) tivesse sido avisado com antecedência (da medida judicial de bloqueio) e quisesse esvaziar suas contas ele teria feito. Não teria deixado R$ 22 milhões para serem bloqueados. Isso mostra a boa fé do meu cliente, que está à disposição da Justiça para todos os esclarecimentos.”

O criminalista destacou que a ordem judicial limitou o confisco em R$ 20 milhões. “Assim, o montante localizado é até superior ao que deveria ser embargado. Evidentemente, a remessa para os Estados Unidos, que se deu antes da ordem de bloqueio, não prejudicou em nada a Justiça.”