Advogado de Moro diz que Bolsonaro tentou ‘esvaziar’ recurso no STF ao se antecipar e anunciar depoimento presencial

Advogado de Moro diz que Bolsonaro tentou ‘esvaziar’ recurso no STF ao se antecipar e anunciar depoimento presencial

Criminalista Rodrigo Sánchez Rios diz em nota nesta quarta-feira, 6, que posicionamento da AGU confirma tese de que interrogatório deve ser feito pessoalmente

Rayssa Motta e Fausto Macedo

06 de outubro de 2021 | 19h21

O presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro. Foto: Dida Sampaio / Estadão

A defesa do ex-ministro Sérgio Moro disse nesta quarta-feira, 6, que a decisão do presidente Jair Bolsonaro de se antecipar ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e anunciar o depoimento presencial no inquérito que apura se houve interferência política na Polícia Federal tentou ‘esvaziar’ a análise do caso pela Corte.

“A postura adotada pela Advocacia Geral da União (AGU) de protocolar uma petição no dia de hoje, minutos antes do início da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), concordando com o interrogatório presencial do investigado, Jair Bolsonaro, no Inquérito 4831, tentou esvaziar o teor do agravo regimental interposto na corte pela própria AGU”, diz um trecho da nota divulgada pelo advogado Rodrigo Sánchez Rios.

Como mostrou o Estadão, a tendência entre os ministros era obrigar o presidente a responder aos questionamentos pessoalmente. Minutos antes do julgamento, a Advocacia-Geral da União (AGU) comunicou a decisão de Bolsonaro que, segundo a pasta, teve como motivação a ‘plena colaboração’ com a investigação.

O advogado de Moro também afirma que aguarda agora a escolha da data para o interrogatório do presidente. A medida é uma das últimas pendências para a conclusão da investigação aberta a partir de informações prestadas por Moro ao deixar o governo, em abril do ano passado. O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública levantou suspeitas sobre uma suposta tentativa do presidente de substituir encarregados por postos de comando na Polícia Federal em uma tentativa de blindar familiares e aliados de apurações.

Leia a íntegra da nota do advogado Rodrigo Sánchez Rios, que representa Sérgio Moro no caso:

“A defesa de Sérgio Moro, ex-ministro da justiça, destaca que a postura adotada pela Advocacia Geral da União (AGU) de protocolar uma petição no dia de hoje, minutos antes do início da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), concordando com o interrogatório presencial do investigado, Jair Bolsonaro, no Inquérito 4831, tentou esvaziar o teor do agravo regimental interposto na corte pela própria AGU. Os Advogados de defesa de Sérgio Moro reforçam que esse posicionamento somente confirma a procedência da tese defendida, desde o início da discussão do caso. A partir de agora, aguardamos a designação da data para a realização do ato procedimental de oitiva do investigado”.

Tudo o que sabemos sobre:

Sérgio Moro

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.