Advogado de Cerveró já foi multado por Moro por abandono de processo da Lava Jato

Advogado de Cerveró já foi multado por Moro por abandono de processo da Lava Jato

Edson Ribeiro, preso por ordem do Supremo, defende ex-diretor da Petrobrás; criminalista já disse que delação premiada é 'método antidemocrático'

Julia Affonso, Andreza Matais e Beatriz Bulla

25 de novembro de 2015 | 11h05

Nestor Cerveró está preso desde o início de janeiro. Foto: André Dusek/Estadão

Nestor Cerveró está preso desde o início de janeiro. Foto: André Dusek/Estadão

O advogado Edson Ribeiro, preso nesta quarta-feira, 25, na Operação Lava Jato defendia o ex-diretor da área Internacional Nestor Cerveró desde o início das investigações. O criminalista é responsável pela defesa de Cerveró nos autos da Lava Jato na 1ª instância, no Paraná.

Nestor Cerveró está preso desde janeiro deste ano. O ex-diretor já foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato. Em notas enviadas à imprensa, o defensor se mostrava contrário à delação premiada.

“Enquanto eu for advogado de Nestor Cerveró, não haverá delação premiada. Não tenho nada contra, mas eu sou contra a utilização de prisões preventivas para a obtenção de delação. É um método antidemocrático”, disse Edson Ribeiro após uma das condenações de Cerveró na Lava Jato.

Para o advogado, as prisões preventivas da Lava Jato tinham como objetivo obter delações premiadas. Em um dos processos, o juiz federal Sérgio Moro impôs a Cerveró 12 anos e 3 meses de prisão, por corrupção e lavagem de dinheiro por recebimento de propina em cima de contratos de navios-sonda da Petrobrás. Em outra ação, o ex-diretor foi condenado a 5 anos de detenção pelo crime de lavagem de dinheiro na compra de um apartamento de luxo em Ipanema, no Rio.

Em maio deste ano, Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato na primeira instância, aplicou multa de 55 salários mínimos (R$ 43.340) ao advogado Edson Ribeiro, por “abandono” de um dos processos que o ex-diretor respondia. A sanção foi revogada pelo magistrado alguns dias depois.

Moro havia dado um prazo para que a defesa do ex-diretor apresentasse suas alegações finais nos autos em que Cerveró havia sido denunciado por lavagem de dinheiro na compra via offshore uruguaia de uma cobertura de R$ 7,5 milhões em Ipanema, no Rio.

“O abandono ocorre em processo, com acusado preso, retardando o julgamento, isso após intimação pessoal, e aparentemente faz parte de uma estratégia processual reprovável”, assinalou o juiz da Lava Jato à época.

A reportagem ligou para o escritório de Edson Ribeiro. Um homem que se disse funcionário do advogado afirmou que não poderia se manifestar sobre a prisão do criminalista.

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