Advogado controlava 12 contas secretas no exterior usadas pela Odebrecht

Alvo principal da 36ª fase da Lava Jato, Rodrigo Tacla Duran teria movimentado pelo menos R$ 24 milhões entre 2011 e 2013 para empreiteira, afirma força-tarefa

Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

10 de novembro de 2016 | 13h26

Sede da Odebrecht, em São Paulo, foi alvo de buscas da Polícia Federal, em junho de 2015, na 14ª fase da Lava Jato (Operação Erga Omnes). Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Sede da Odebrecht, em São Paulo, foi alvo de buscas da Polícia Federal, em junho de 2015, na 14ª fase da Lava Jato (Operação Erga Omnes). Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

O advogado Rodrigo Tacla Duran, principal alvo da 36ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta quinta-feira, 10, contralou pelo menos 12 contas secretas abertas no exterior, em nome de empresas offshores, que eram usadas para o Grupo Odebrecht pagar propinas para agentes públicos e políticos no esquema de corrupção na Petrobrás e fora dele.

“Rodrigo Tacla Duran atuou durante longo período junto ao Setor de Operações Estruturas da Odebrecht e nesse âmbito, manteve, foi o controlador, o administrador de mais de 12 contas abertas no exterior em nome de offshores. Contas nas quais recebeu dezenas de milhões de dólares”, explicou o procurador da República Roberson Pozzobon.

Os executivos da Odebrecht, entre eles seu presidente afastado Marcelo Bahia Odebrecht, negociam acordo de delação premiada com a Lava Jato.

“(Tacla Duran) Ele servia como elo de dois contextos criminosos: ele ligava os corruptores de um lado, aos corrompidos do outro lado. Por ser um elo, podem ser muito ricas as provas que venham a ser apreendidas nos mandados de busca e apreensão em suas empresas. Porque ele faz a interface entre quem corrompe e quem é corrompido.”

Foram realizadas 16 buscas em São Paulo, Paraná e no Ceará. Os dois alvos de prisão são Tacla Duran e o lobista Adir Assad. O advogado está nos Estados Unidos, acreditam os investigadores, para onde foi há mais de quatro meses. Seu nome está na lista de procurados da Interpol.

Tacla Duran e Adir Assad – já preso e condenado na Lava Jato – teriam gerado mais de R$ 50 milhões em propinas para a Odebrecht, UTC e Mender Juninor – empreiteiras acusadas de cartel e corrupção na Petrobrás.

Os valores até aqui identificados, segundo a força-tarefa, foi que mais de R$ 24 milhões circularam por esse esquema entre Tacla Duran e Assad, envolvendo Odebrecht.

“Por meio dessas (contas), ele disponibilizada recursos para doleiros e estes, como Adir Assad, pudessem gerar recursos no Brasil, que eram utilizados para os pagamentos de propina”, explicou o procurador.

planilha palista kibe dragão

O nome da operação foi uma referência ao codinome usado pelo Setor de Operações Estruturas da Odebrecht, o “departamento da propina”, usada para identificar as finanças relacionadas a Tacla Duran. Em planilhas apreendidas com a secretárias e delatora Maria Lucia Tavares, é possível ver o registro de valores lançados à “Dragão”.

Na mesma planilha, o lobista e operador de propinas Adir Assad – outro que teve prisão preventiva decretada pelo juiz federal Sérgio Moro – era o “Kibe”. Já preso por outra operação e condenado na Lava Jato, ele era outro responsável por gerar dinheiro em espécie no Brasil para a empreiteira para pagamentos de propinas.

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