Adultos crianças

Adultos crianças

Cassio Grinberg*

13 de maio de 2021 | 07h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Você os conhece, eles andam por aí fantasiados de adultos: chegam na hora, cumprem prazos, dizem a verdade, não têm medo de levantar a barra.

Adultos crianças inventam jogos de tabuleiro com peças que ainda não existem, e criam as realidades nas quais você viverá em breve. Adultos crianças não costumam se agarrar a coisas que funcionam, e por isso estão sempre vendendo na alta.

Adultos crianças assumem — ou pelo menos aceitam — riscos. Sabem que erros são a consequência inevitável de se fazer algo novo, que é difícil ser criativo no previsível, e justamente por isso tratam o novo como bichos de pelúcias que precisam ser acariciados, alimentados e cuidados — até que devam ser rasgados, remendados e jogados para o mundo.

Você os conhece, eles andam por aí fantasiados de crianças: riem por pouca coisa, não conhecem ditados, perdem a noção do tempo e insistem no que querem de verdade sem saber que não podem conseguir (e quase sempre conseguem).

Eu conheço dois tipos de adultos crianças: os que nunca deixaram de sorrir e brincar como crianças, e os que, em algum momento, conseguiram se reconectar com pequenas atitudes das crianças: do tipo cantar pela casa, elogiar do nada, e de repente duvidar menos. Me enquadro nesse segundo tipo, mas casei com uma pessoa do primeiro tipo.

Adultos crianças tratam os sonhos como um capítulo à parte. Dentro das empresas, são aqueles que escutam ‘vá com calma, isso está muito além da cultura da empresa, se ninguém nunca fez, é porque não é para ser feito’ — dito por pessoas que geralmente acabam trabalhando para eles.

Adultos crianças têm mente de iniciante. Aliás, puxaram isso das crianças, que desaprendem o tempo inteiro e por isso têm o friozinho na barriga de sempre recomeçar.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor do livro Desaprenda – como se abrir para o novo pode nos levar mais longe

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