Adaptações! Quantas você já fez este ano?

Simone Januário*

20 de fevereiro de 2019 | 04h00

Na euforia das festas de final de ano, muitas promessas são feitas, de pegar firme no inglês, economizar para a próxima viagem até uma mudança profissional ou um novo estilo de vida.

São transformações que surgem de uma escolha, da decisão pela mudança e que carregam um objetivo. Por mais difíceis que sejam e sempre são, trazem consigo um desejo e a possibilidade de se organizar e planejar as etapas da mudança.

O processo de mudança tira da ” zona de conforto”, daquilo que “está ruim, mas, está bom”, como dizem por aí. Qualquer modificação, por mais simples que seja, faz nossa vida se mexer.

Quanto melhor planejada e mais tranquilo o processo de mudança, mais adequada será a adaptação.

Para mudanças de país ou cidade, até a viagem pode interferir na adaptação, porque todas as etapas vão imprimindo emoções acerca do que está por vir. Obter a maior quantidade de informações sobre as diferenças culturais, modo de vida e planejamento podem ajudar a evitar o que os psiquiatras chamam de transtorno de adaptação. Existem profissionais capacitados para auxiliar neste processo delicado, minimizando os impactos das mudanças.

Crianças e adolescentes passam pelo período de adaptação escolar, tão importante para a formação de novos vínculos e a chance de começar um novo capítulo a história com a esperança de dias felizes e novas aquisições pedagógicas. Mesmo sem mudar de escola, é importante estar atento às transformações de cada faixa etária, que implicam em mudanças físicas, emocionais, cognitivas e sociais.

Por isso é tão importante compreender o que é comunicado dessa experiência.

As promessas de ano novo? Ah! Essas implicam em decisões diárias, em avaliações constantes sobre os riscos e os ganhos da difícil arte de fazer escolhas.

Mas, e as mudança involuntárias?

Aquelas que trazem um impacto, que fazem desmoronar?

No mundo em que a obrigação da felicidade e de ‘tirar tudo de letra’ são a ordem, fica difícil extrair o tempo necessário para sentir dor e adaptar-se a falta daquilo que não pertence mais ao dia a dia.

Adaptações exigem paradas. É como arrumar o armário, encarar a bagunça, esvaziar espaços que num outro momento poderão ser preenchidos e organizar o que ficou.

Jean Piaget, dizia que para adaptar um novo conceito, é preciso assimilar e acomodar. Abrir espaço para assimilar as mudanças, entender seus porquês, suas possibilidades e limitações, é fundamental para qualquer adaptação.

Que tal adaptar-se a ideia de dar um tempo para entender e lidar com as mudanças?!

*Simone Januário, psicóloga

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: