Acusado de repatriar R$ 48 mi de propina pede a Moro liberdade

Acusado de repatriar R$ 48 mi de propina pede a Moro liberdade

Marcio de Almeida Ferreira, capturado em maio na Operação Asfixia, fase 40 da Lava Jato, por meio de seu advogado alega a juiz da Lava Jato que as testemunhas arroladas pelo Ministério Público Federal não confirmaram a denúncia contra ele

Luiz Vassallo

01 Agosto 2017 | 16h28

Sérgio Moro. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Preso preventivamente desde maio sob a acusação de repatriar R$ 48 milhões de propina, o ex-gerente da Petrobrás Márcio de Almeida Ferreira entrou com novo pedido de liberdade ao juiz federal Sérgio Moro nesta terça-feira, 1.

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Ferreira é alvo da Operação Asfixia, fase 40 da Lava Jato. Em 2016, o ex-gerente aderiu ao Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária. Na mesma etapa da Lava Jato também foi preso o executivo da estatal Maurício Guedes de Oliveira.

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Quando deflagrou a Operação Asfixia, o juiz federal Sérgio Moro ressaltou que o patrimônio de Ferreira era de R$ 8,7 milhões, em 2013, e saltou para R$ 57 milhões em 2014. No ano seguinte, o valor chegou a R$ 64 milhões.

Os dois agentes públicos da Petrobrás presos na Lava Jato 40 são suspeitos de receber mais de R$ 100 milhões em propinas de empreiteiras que mantinham contratos com a petrolífera. O valor foi bloqueado pelo Banco Central nas contas da empresa Liderrol, e pelo seu controlador Paulo Roberto Gomes Fernandes, que também administra a Akyso – as duas empresas teriam sido utilizadas para viabilizar os desvios.

Em petição a Moro, nesta terça-feira, 1, o advogado Marcus Vidigal de Freitas Criciúma, que representa Márcio de Almeida Ferreira pediu liberdade de seu cliente com base nos depoimentos do ex-gerente da área Internacional da Petrobrás, Eduardo Musa, do dono da Carioca Engenharia, Ricardo Pernambuco, do ex-executivo da Andrade Gutierrez Paulo Roberto Dalmazzo, e do ex-executivo da Odebrecht Ricardo Santos de Araújo. Eles depuseram nesta segunda-feira, 31.

Segundo o defensor, as testemunhas arroladas pelo Ministério Público Federal, não confirmaram a denúncia contra Ferreira.

“Todos foram unânimes em afirmar que desconhecem qualquer prática delitiva ou a ocorrência de fatos ilícitos envolvendo o ora acusado”.

O advogado de Márcio Ferreira sustenta que ‘não restou confirmada a versão narrada na denúncia, esvaziando-se, assim, a necessidade de manutenção da custódia cautelar’.

“As medidas alternativas à prisão estabelecidas no artigo 319, Código de Processo Penal, são plenamente capazes de garantir o vínculo do acusado com o processo e garantir a aplicação da lei penal e a ordem pública, afigurando-se extremamente desnecessária a prisão preventiva do acusado, que conta com setenta e dois anos de idade, e é portador de diabetes mellitus tipo 2, que impõe o uso de medicações e leucopenia secundária, conforme atestado médico já acostado aos autos”, argumenta.

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