Acusada duas vezes de racismo, australiana vai passar por tratamento psiquiátrico

Acusada duas vezes de racismo, australiana vai passar por tratamento psiquiátrico

Louise Stephanie Garcia Gaunt se recusou a ser atendida em 2014 por uma manicure negra em Brasília, a quem disse 'pessoas da sua cor me incomodam'

Marina Mori, especial para o Blog

27 Outubro 2016 | 04h00

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A australiana Louise Stephanie Garcia Gaunt deverá ser submetida a tratamento psiquiátrico por prazo indeterminado pelo crime de racismo. A sentença foi estabelecida pela juíza Ana Clara de Oliveira Costa Barreto, da 5.ª Vara Criminal de Brasília.

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O incidente ocorreu em 14 de fevereiro de 2014, quando Louise se recusou a ser atendida por uma manicure negra em um salão de beleza da Asa Sul, em Brasília.

Segundo a ação, a australiana ofendeu a vítima com expressões como ‘pessoas da sua cor me incomodam’ e que ‘não entendia porque as pessoas da sua cor podiam se dirigir a ela’.

A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.

Louise Gaunt foi declarada inimputável por doença mental e, por isso, deverá cumprir medida de segurança em regime de tratamento ambulatorial.

De acordo com o laudo psiquiátrico feito durante o processo, Louise foi diagnosticada com ‘transtorno afetivo bipolar com psicose desde 2012’.

Por isso, a juíza alegou que à época do crime a ré não tinha capacidade de ‘entendimento e autodeterminação’.

Louise também respondia a uma acusação por injúria racial contra duas funcionárias de limpeza da empresa onde trabalha, a Companhia Elétrica de Brasília (CEB).

Este caso ocorreu em junho de 2013, quando Louise, segundo a investigação, ofendeu as faxineiras ao encontrá-las no banheiro da empresa.

Na ocasião, ela justificou sua conduta alegando que ‘foi criada em ambiente estrangeiro e nunca teve relação com pessoas de cor escura.’

Em setembro deste ano, ela recebeu ‘absolvição imprópria’ com aplicação de medida de segurança referente a este processo.

A australiana deverá ser avaliada anualmente por perícia médica assistente ‘até que não haja sinal de periculosidade’.

O advogado de Louise não foi localizado pela reportagem.

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