Acusações na Lava Jato 69 são ‘demonstração da pirotecnia de procuradores viciados em holofotes’, reage Lula

Acusações na Lava Jato 69 são ‘demonstração da pirotecnia de procuradores viciados em holofotes’, reage Lula

Em nota, Cristiano Zanin afirma que apuração feita pela força-tarefa em Curitiba já havia sido conduzida pela Polícia Federal de São Paulo e pelo Ministério Público Federal de Brasília e, em ambos os casos, os inquéritos foram arquivados; ex-presidente diz que ação foi 'pirotecnia'

Paulo Roberto Netto e Gregory Prudenciano

10 de dezembro de 2019 | 16h30

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como ‘demonstração de pirotecnia’ as acusações contra o seu filho, o empresário o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na 69ª fase da Operação Lava Jato, a ‘Mapa da Mina’. Pelo Twitter, o petista afirma que investigação é um ‘malarabalismo’.

“O espetáculo produzido hoje pela Força Tarefa da Lava Jato é mais uma demonstração da pirotecnia de procuradores viciados em holofotes que, sem responsabilidade, recorrem a malabarismos no esforço de me atingir, perseguindo, ilegalmente, meus filhos e minha família”, escreveu o petista.

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também reagiu à nova fase da Lava Jato e classificou as acusações como ‘totalmente descabidas’.

Segundo Cristiano Zanin, as apurações que serviram de base para a Lava Jato já foram alvo de ‘ampla investigação’ realizada pela Polícia Federal de São Paulo, em 2012, e pelo Ministério Público Federal de Brasília, em 2010.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Ricardo Stuckert

Em ambos os casos, os inquéritos foram arquivados sem identificar a prática de qualquer crime.

“Ou seja, os órgãos do Estado competentes para promover a análise e a investigação do assunto já atuaram e concluíram de longa data que Lula e seus familiares não cometeram qualquer ato ilícito. A Lava Jato de Curitiba escondeu essa situação e buscou criar vínculos artificiais de competência apenas para dar continuidade à perseguição ilegal contra Lula”, declara Zanin.

‘Mapa da Mina’. A nova fase da Lava Jato apura repasses de R$ 132 milhões da Oi/Telemar ao grupo Gamecorp/Gol, controladas por Lulinha, pelos irmãos Fernando Bittar e Kalil Bittar e pelo empresário Jonas Suassuna. A procuradoria aponta que parte dos valores teriam sido utilizados para financiar a compra do sítio de Atibaia pela família Bittar.

O imóvel é o pivô da segunda condenação de Lula na Lava Jato. Em novembro, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) sentenciou o ex-presidente da 17 anos, um mês e dez dias de prisão. Devido ao novo entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre prisão em segunda instância, Lula recorre em liberdade.

Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do ex-presidente Lula. Foto: Alex Silva/Estadão

A Lava Jato apura também ‘indícios de irregularidades no relacionamento’ entre a Gamecorp/Gol e a Vivo/Telefônica no projeto ‘Nuvem de Livros’. Os procuradores afirmam ter identificado a movimentação de R$ 40 milhões entre a Movile Internet Móvel, empresa que prestou serviço ao grupo Telefônica, e a Editora Gol entre janeiro de 2014 a janeiro de 2016.

Os repasses coincidiam, segundo a procuradoria, com decisões benéficas do governo federal ao setor de telecomunicações, como a assinatura do Decreto 6654/2008, que permitiu a aquisição da Brasil Telecom pelo grupo Oi/Telemar.

COM A PALAVRA, O GRUPO GAMECORP/GOL

A reportagem busca contato com a Assessoria de Imprensa da empresa. O espaço está aberto para manifestações (paulo.netto@estadao.com)

COM A PALAVRA, A OI

“A Oi informa que atua de forma transparente e tem prestado todas as informações e esclarecimentos que vêm sendo solicitados pelas autoridades, assegurando total e plena colaboração com as autoridades competentes.”

COM A PALAVRA, A VIVO

“A Telefônica informa que a Polícia Federal está hoje em sua sede, em São Paulo, buscando informações a respeito de contratos específicos de prestação de serviços realizados. A empresa está fornecendo todas as informações solicitadas e continuará contribuindo com as autoridades. A Telefônica reitera seu compromisso com elevados padrões éticos de conduta em toda sua gestão e procedimentos”

COM A PALAVRA, O GRUPO MOVILE

“O Grupo Movile preza pela transparência em sua atuação e está cooperando com as investigações do Ministério Público Federal do Paraná, fornecendo todas as informações solicitadas. A empresa não é o alvo principal da investigação e trabalha em total colaboração com as autoridades. A Movile esclarece ainda que, diferentemente do citado no primeiro comunicado oficial emitido pelo MPF-PR, não pertence ao grupo Telefônica/Vivo. Somos um ecossistema brasileiro de empresas de tecnologia, com atuação global.”

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