Acompanhamento médico em tempos de pandemia: risco ou cuidado necessário?

Acompanhamento médico em tempos de pandemia: risco ou cuidado necessário?

Qual é o custo de negligenciar o acompanhamento de condições crônicas por medo da pandemia?

Marcello Barduco*

12 de maio de 2021 | 11h30

Marcello Barduco. FOTO: DIVULGAÇÃO

Sr. Luiz Paulo, que completará 74 anos em 3 semanas, vem sentindo que algo não está como antes. Talvez os remédios que usa para o controle de seu diabetes e da pressão alta não estejam fazendo efeito como antes. Mas, como consultar o médico que o acompanha há mais de 5 anos, em meio à pandemia? Poderá contrair Covid-19 em uma de consulta de rotina?

Esta dúvida vem torturando Sr. Luiz Paulo há meses. Infelizmente, ele apresentou um mal súbito que o forçou a procurar o Pronto Socorro e acabou descobrindo que sua função renal estava comprometida, além de uma intoxicação pelos medicamentos que usava. Necessitou de internação em UTI e diálise. Causou muita preocupação em seus familiares até que se recuperasse.

Esta é uma de muitas histórias que vemos no dia a dia de serviços de emergência desde o início da pandemia.

As pessoas, por medo de se exporem à contaminação, deixam de fazer acompanhamento médico, agravando situações que poderiam ser corrigidas com ajustes simples no tratamento de suas doenças crônicas.

Para exemplificar a dimensão deste problema, o número de “Mortes Súbitas” (aquelas em que não há tempo de receber atendimento emergencial levando o paciente ao óbito) em domicílio aumentou, pelo menos, 3 vezes na pandemia.

O tempo tem nos ensinado muito durante este período

É importante esclarecer que não é certo deixar de acompanhar doenças crônicas, assim como deixar de reconhecer sintomas diferentes que podem representar risco potencial para o seu agravamento.

Neste momento em que temos a maior parte dos idosos passando pelo processo de vacinação contra a Covid-19, precisamos rever alguns cuidados importantes para evitar a contaminação.

À ideia do “Fique em Casa” deve ser acrescentada da frase:
“Se Puder e Desde que Não o Prejudique”.

O cuidado diário com a saúde deve ser priorizado. Com isso evitamos a deterioração da qualidade de vida e a redução da sobrevida de cada indivíduo.

7 doenças importantes que não devem ter seu tratamento interrompido

  • – Diabetes mellitus
  • – Hipertensão Arterial
  • – Doenças pulmonares – bronquite, asma, câncer de pulmão
  • – Doenças cardíacas – insuficiência cardíaca, arritmias, doenças das coronárias e das válvulas cardíacas
  • – Doenças neurológicas – Alzheimer, AVC, Parkinson, epilepsias
  • – Doenças oncológicas (câncer) em geral
  • – Doenças Renais – Insuficiência renal

Existe luz no fim do túnel!

Recentemente autorizada pelo Conselho Federal de Medicina – CFM, a Telemedicina pode ser uma boa saída para essa questão. Por meio de uma consulta online, pelo computador ou celular, médicos que já conhecem e seguem seus pacientes podem avaliar queixas, rever medicações em uso, solicitar e avaliar exames laboratoriais e, deste modo, determinar ajustes no tratamento. Com esse recurso tecnológico, ocorrências semelhantes à do Sr. Luiz Paulo podem ser reduzidas.

Uma modalidade não exclui a outra! As consultas presenciais são possíveis e desejáveis, desde que feitas com os cuidados já amplamente difundidos – uso de máscaras, higiene das mãos e distanciamento. O mesmo vale para os grupos de pessoas vacinadas, tanto pacientes quanto profissionais da saúde.

Ao sair de casa para se consultar ou fazer exames, certifique-se e exija que sejam tomados cuidados adequados na higiene, circulação do ar e disponibilização de máscaras e álcool nos consultórios e clínicas onde será atendido. Estas ações são muito efetivas para você manter a saúde.

Sabendo de tudo isso, seja racional quando considerar o risco de perda de controle de suas doenças crônicas versus o medo da contaminação pela COVID-19… certamente quem sairá ganhando será você!

*Marcello Barduco, cardiologista e emergencista do Corpo Clínico do Hospital Sírio Libanês. Pós-graduação em Geriatria pelo IEP – Hospital Sírio Libanês. Gestor do Pronto Atendimento no Hospital Santa Cruz (2004 a 2009). Membro do comitê de ética do Hospital Sírio Libanês (desde 2014). Responsável técnico pela Clínica Barduco há 25 anos. Membro do Conselho Editorial da TREVOO (desde 2021)

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