Acidentes de trânsito dão prejuízo de R$ 220 bi por ano

Acidentes de trânsito dão prejuízo de R$ 220 bi por ano

Alysson Coimbra*

12 de dezembro de 2020 | 11h00

Alysson Coimbra. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Brasil desperdiça, todos os anos, metade do orçamento dedicado à Educação para pagar os custos decorrentes dos acidentes de trânsito. Um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o país gaste o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) com socorro, tratamentos médicos, investigação e os prejuízos decorrentes da redução e perda de produtividade.

O orçamento da Educação fica em torno de 6% do PIB. Estamos falando de cerca de R$ 220 bilhões destinados para a violência no trânsito. Com esse valor, poderíamos construir 730 hospitais com mais de 225 leitos, ou ainda aumentar em 50% os investimentos nacionais em Educação, que, sabemos, são essenciais para o nosso desenvolvimento econômico. Segundo a ONU, gastos com acidentes são mais altos em países menos desenvolvidos, como o nosso.

Todos os dias, temos um prejuízo de R$ 600 mil com acidentes. Se adicionarmos os gastos que a Previdência Social acumula com o exército de mutilados que o trânsito deixa todos os anos, esse valor será ainda mais alto. Somente em 2020, mais de 143 mil pessoas devem solicitar o seguro DPVAT por invalidez permanente. A maior parte desse contingente é composta por homens jovens que estão no auge da sua produtividade e têm que parar de trabalhar porque ficaram inválidos de forma permanente.

Não é à toa que, em 10 estados brasileiros, entre eles São Paulo e Minas Gerais, o trânsito mata mais que os crimes de homicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte. Estudo feito pela Seguradora Líder revelou que, em 2019, dez estados somaram 23.757 pagamentos do Seguro DPVAT por acidentes fatais no trânsito, contra 16.666 mortes por homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais.

Reduzir em 10% o número de acidentes por ano representaria uma economia anual estimada de R$ 22 bilhões. Salvar vidas e reduzir os danos com acidentes têm um impacto muito significativo também na nossa economia.

Além de todo sofrimento e dos efeitos psicológicos que causam nas vítimas e nas suas famílias, não tratar a segurança viária como uma questão de saúde pública custa muito caro para o Brasil e atravanca nosso desenvolvimento econômico e social.

É urgente tratar o assunto como uma questão de saúde pública e adotar políticas públicas efetivas para combater essa epidemia que mata 40 mil brasileiros todos os anos. A chave para mudar essa realidade é investir em prevenção. E isso é feito com uma legislação, fiscalização e assistência médica fortes. Por isso, o Congresso Nacional tem em mãos, na próxima quarta (16/12), uma importante missão: analisar o veto ao artigo 147 da nova Lei de Trânsito, garantir que os motoristas sejam avaliados somente por Especialistas em Trânsito e aplicar a eficácia de políticas públicas baseadas na imprescindível participação de especialistas. Essa medida salva vidas, reduz acidentes, evita fraudes e ainda permite diminuir os prejuízos provocados pela insegurança viária. É a segurança de todos que está em jogo.

*Alysson Coimbra é médico, coordenador da Mobilização Nacional dos Médicos e Psicólogos Especialistas em Medicina do Trânsito e diretor da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra)

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.