Achocolatado que matou menino em Cuiabá

Achocolatado que matou menino em Cuiabá

Tales Castelo Branco*

04 de setembro de 2016 | 07h00

Foto: Divulgação

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Vem repercutindo imensamente nas redes sociais notícia veiculada pela VEJA de que um menino foi envenenado por um “achocolatado” contaminado com veneno de rato. E mais: os suspeitos confessaram o crime. Não conheço o processo, pormenores da perícia necroscópica, nem muito menos os réus, mas achei tudo muito confuso e vou expor mais adiante por quê.

Li no Facebook que o perito que efetuou a exumação e a necropsia do cadáver do menino, encontrou “[…) no material biológico coletado no aparelho digestivo da criança a mesma substância estava presente nas cinco embalagens encaminhadas à perícia ”. Achei as explicações da polícia muito duvidosas. Pelo que li, não houve testemunhas da busca e apreensão das cinco embalagens em que se detectou a presença de “carbofurano comumente aplicado como veneno de rato”]. Ora, o carbofurano, salvo equívoco, contém enxofre, arsênio e mercúrio. Arsênico é o nome popular de um dos compostos do arsênio: trióxido de arsênio ou arsênio branco. A pergunta que lanço, como veemente advertência, baseia-se na explanação que transcrevo abaixo, com extrema humildade técnica, para reflexão dos mais doutos:

Em excelente e antiga lição de autoria de Brito Alvarenga (1928), “Perito-Chimico do Laboratório de Policia Technica de São Paulo” (literal), denominada “Questões que poderão ser suscitadas em uma pericia toxicológica”, encontramos as seguintes observações:

“Não se deverá também desprezar a analyse das terras dos cemiterios, nos casos de autopsia, após exumação. A presença nessas terras de compostos arsenicaes poderá contribuir para que se admita que esses compostos, dissolvidos pelas aguas das chuvas, possam ser infiltrados no cadáver. A embebição cadaverica opera-se de fóra para dentro e poderá introduzir no cadaver substancias venenosas, que fariam admitir o envenenamento” (ob. cit., ano I, vol. II, Nos 3 e 4, Setembro e Outubro de 1928, São Paulo. Transcrição literal).

Sem qualquer pretensão de lecionar, ficam aqui as minhas preocupações para serem divididas com os mais sábios.

* Tales Castelo Branco é criminalista e sócio do escritório Castelo Branco Advogados

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