‘Acha que tenho uma impressora de dinheiro’, disse lobista sobre Geddel

‘Acha que tenho uma impressora de dinheiro’, disse lobista sobre Geddel

Em mensagens que PF resgatou em celular encontrado na casa do ex-presidente da Câmara, Lucio Funaro se referiu a ex-ministro de Temer como ‘boca de jacaré’ para receber e ‘carneirinho’

Julia Affonso e Fábio Fabrini, de Brasília

14 de janeiro de 2017 | 05h55

Geddel Vieira Lima. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Geddel Vieira Lima. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Conversa entre o lobista Lucio Funaro e o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recuperada pela Polícia Federal, na Operação Cui Bono?, revela a atuação do ex-ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo/Michel Temer) no esquema de fraudes milionárias instalado na Caixa. Geddel é investigado por suposta corrupção passiva pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República, no Distrito Federal.

Documento

Em uma troca de mensagens, na tarde de 11 de setembro de 2012, Eduardo Cunha alerta Funaro sobre repasses que deveriam ser feitos e, dentre eles, ‘o que caberia a Geddel’.

“Hoje nem fui lá esse cara acha que tenho uma impressora”, reclama Funaro a Cunha, se referindo a Geddel.

“Já tá creditado.E que tem de rodar meu filho”, decretou Cunha.

O lobista Lucio Funaro. Foto: Divulgação

O lobista Lucio Funaro. Foto: Divulgação

Em mensagem de 5 de abril de 2012, Funaro se referiu a Geddel como ‘boca de jacaré’ para receber” e ‘carneirinho para trabalhar’, além de ‘reclamão’.

“Me faz um favor liga p geddel e vê em qual e-mail ele quer que vc passe isso ou pra quem vc entrega que se ele não resolver vou fuder ele no Michel. Esse porco e um folgado do caralho”, reclamou o lobista.

“Que ele e boka de jacaré p receber e caneirinho p trabalhar e ainda reclamão mas eu agora tenho condição total se ele me encher o saco de ir p porrada com ele. Tenho total condição de sair na porrada c ele mole.”

conversacunhageddel2

conversacunhageddel3

O esquema teria sido instalado na Caixa entre 2011 e 2013. Na época, Geddel era vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal.

Além de Geddel, são investigados Marcos Roberto Vasconcelos, então vice-presidente de Gestão de Ativos do banco, José Henrique Marques da Cruz, servidor de carreira da Caixa e o empresário Marcos Antonio Molina dos Santos.

Em relatório, a PF afirma que Geddel ‘seria também um correspondente no tráfego de informações de processos dentro da Caixa Econômica Federal para Eduardo Cunha’.

Em 17 de setembro de 2012, Geddel informa Eduardo Cunha.

“Está na pauta Comitê Risco emissão e colocação 500 MM debentures para J&F. Para seu conhecimento”, avisou o ‘Boca de Jacaré’.

“Esse eu não estou acompanhando deixa ver”, retornou Eduardo Cunha.

A Operação Cui Bono? é um desdobramento da Operação Catilinárias, realizada em 15 de dezembro de 2015. Naquela oportunidade os policiais federais encontraram um aparelho celular em desuso na residência do então Presidente da Câmara.

Submetido a perícia e mediante autorização judicial de acesso aos dados do dispositivo, a Polícia Federal extraiu uma intensa troca de mensagens eletrônicas entre Eduardo Cunha e o vice-presidente da Caixa de Pessoa Jurídica entre 2011 e 2013.

As mensagens indicavam a possível obtenção de vantagens indevidas pelos investigados em troca da liberação para grandes empresas de créditos junto à Caixa Econômica Federal, o que pode indicar a prática dos crimes de corrupção, quadrilha e lavagem de dinheiro.

Diante destes indícios os policiais passaram então a investigar o caso, que tramitava no Supremo Tribunal Federal por causa de investigação contra pessoas detentoras de prerrogativa de foro por função. Porém, em virtude dos afastamentos dos investigados dos cargos e funções públicas que exerciam, o Supremo Tribunal Federal decidiu declinar da competência e encaminhar o inquérito à Justiça Federal do Distrito Federal.

Tudo o que sabemos sobre:

Operação Cui Bono

Tendências: