‘Acentuado dolo homicida’, diz juíza sobre barbeiro que matou Moa do Katendê

‘Acentuado dolo homicida’, diz juíza sobre barbeiro que matou Moa do Katendê

Ao impor pena de 22 anos e um mês de reclusão manter preventiva de Paulo Sérgio Ferreira de Santana, no júri de quinta, 21, a juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos destacou 'elevado grau de periculosidade' do assassino e apontou que a morte do capoeirista provocou na sociedade 'repulsa e indignação além da normalidade'

Pepita Ortega

24 de novembro de 2019 | 17h47

Mestre Moa do Katendê foi assassinado a facadas em um bar de Salvador, após manifestar apoio a Fernando Haddad (PT) Foto: Arquivo Pessoal

O Tribunal do Júri de Salvador condenou, nesta quinta, 21, o barbeiro Paulo Sérgio Ferreira de Santana pela morte do mestre de capoeira, ativista cultural negro e fundador do afoxé Romualdo Rosário da Costa, o Moa do Katendê, e pela tentativa de homicídio de Germino do Amor Divino Pereira, primo da vítima. Santana foi sentenciado a 22 anos e um mês de reclusão, em regime inicialmente fechado, na Penitenciária Lemos de Brito, onde está preso preventivamente.

A pena do barbeiro foi majorada por conta das qualificadoras de motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O cálculo foi feito pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos da da 1ª Vara do Tribunal do Júri.

Na sentença, a magistrada registra que Santana demonstrou ‘acentuado dolo homicida’. Ela Gelzi ainda manteve a prisão preventiva do barbeiro ressaltando seu ‘elevado grau de periculosidade’ e indicando que o crime provocou na sociedade ‘repulsa e indignação além da normalidade’.

Segundo a denúncia do Ministério Público baiano, o barbeiro atingiu Romualdo da Costa com 13 facadas após o capoeirista defender seu voto no candidato do PT ao Palácio do Planalto, Fernando Haddad, e criticar o candidato do PSL à Presidência Jair Bolsonaro, nas eleições 2018.

O crime aconteceu na madrugada do dia 8 de outubro do ano passado, no ‘Bar do João’, localizado na Avenida Vasco da Gama, próximo ao Dique do Tororó, em Salvador.

A promotoria relatou na acusação que o barbeiro e o capoeirista discutiram em voz alta sobre a eleição para presidente da República e ‘agrediram-se mutuamente de forma verbal’.

Em seguida, o acusado deixou o bar e foi para casa, onde pegou uma faca tipo peixeira e retornou ao local para agredir Moa do Katendê. Durante o ataque, Germino Pereira foi atingido por uma ‘profunda facada’ no braço direito, quando tentou defender a vítima.

Segundo o promotor de Justiça Davi Gallo, autor da denúncia, o barbeiro matou por motivo fútil e sem possibilitar qualquer defesa à vítima.

O barbeiro admitiu que uma discussão política foi a motivação do esfaqueamento. Preso desde o dia do assassinato, ele teve prisão preventiva decretada dois dias depois, no dia 10 de outubro de 2018. A decisão de manter o barbeiro preso foi tomada pelo juiz Horácio Pinheiro, que considerou que havia “prova de existência do crime” e “indício suficiente de autoria”.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE PAULO SÉRGIO SANTANA

A reportagem busca contato com a defesa do barbeiro. O espaço está aberto para manifestações.

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