Ação popular quer barrar campanha ‘O Brasil não pode parar’ de Bolsonaro

Ação popular quer barrar campanha ‘O Brasil não pode parar’ de Bolsonaro

Governo contratou agência de publicidade para defender a flexibilização do isolamento social; vereador Caio Miranda (PSB) afirma que iniciativa contraria orientações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde

Pedro Venceslau, Pedro Prata e Luiz Vassallo

27 de março de 2020 | 15h01

O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores na saída do Palácio do Alvorada. Foto: Gabriela Biló / Estadão

O vereador de São Paulo Caio Miranda Carneiro (PSB) moveu ação popular contra a campanha ‘O Brasil não pode parar’ contratada pelo governo Jair Bolsonaro, para defender a flexibilização do isolamento social. O processo está na Justiça Federal em Brasília.

Em publicação na edição extra do Diário Oficial da União (DOU) de quinta-feira, 26, o governo federal publicou a contratação por R$ 4,9 milhões uma agência de publicidade sem licitação. A justificativa é “disseminar informações de interesse público à sociedade, por meio de desenvolvimento de ações de comunicação”. A empresa contratada é a iComunicação Integrada.

Questionada, a Secretaria de Comunicação não informou se a campanha já foi elaborada por esta empresa e se haverá outras. Nesta sexta-feira, um grupo de parlamentares disse que vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a campanha.

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A iniciativa é parte da estratégia montada pelo Palácio do Planalto para divulgar ações de combate ao novo coronavírus, ao lado de medidas que o presidente Jair Bolsonaro considera necessárias para a retomada econômica. Também há previsão de vídeos institucionais.

Caio Miranda. FOTO: ACERVO PESSOAL

O parlamentar afirma à Justiça que, com a campanha, o governo estimula que ‘as pessoas saiam às ruas e voltem ao trabalho, contrariando orientações da Organização Mundial da Saúde e todas as políticas públicas desenvolvidas por Estado, Municípios, e pelo próprio Ministério da Saúde, através de seu Ministro Luiz Henrique Mandetta – manifestações essas que são fatos notórios’.

“Nada mais absurdo!”, escreve.

O parlamentar ainda lembra que ‘há um mês, quando o avanço da Covid-19 estava num estágio similar ao que vivemos hoje no Brasil, o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, lançou uma campanha semelhante: “Milão não para” – e incentivava que os moradores da idade a retomar suas atividades mesmo com o avanço da doença’

“Muitos milaneses seguiram os apelos e saíram do isolamento. O resultado? Na Lombardia, região da Itália em que fica Milão, em 27 de fevereiro, na época da campanha, eram 250 os contaminados. Nesta sexta-feira, 27, são 34.889 casos confirmados, com 4.861 mortes”, diz.

O vereador ressalta que a ‘Itália se tornou o país com mais casos de mortes, e em nenhum outro lugar do país morreu tanta gente como na Lombardia’. “É justamente esse erro que esta ação pretende evitar”.

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