‘Acabe com isso e negocie com o MP’, pede filha do operador do PSDB

‘Acabe com isso e negocie com o MP’, pede filha do operador do PSDB

Priscila Vieira de Souza, em carta a seu pai, então na prisão de Tremembé (SP), em abril do ano passado, faz apelo dramático: "Você é o maior ladrão deste país hoje e isso nos fere profundamente"

Luiz Vassallo, Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

27 de fevereiro de 2019 | 20h11

Reprodução de trecho da carta

Quando estava cumprindo sua primeira temporada na prisão, abril de 2018, o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, apontado pela Operação Lava Jato como suposto operador do PSDB, recebeu sugestão de sua própria filha, Priscila, para que fizesse delação premiada.

Em carta confiscada pelos investigadores na Operação Ad Infinitum – fase 60 da Lava Jato -, deflagrada dia 19, ela pediu a seu pai que negociasse com Ministério Público. Na ocasião, Vieira de Souza estava preso em Tremembé, interior paulista, alvo de investigação da Procuradoria e da Polícia Federal por supostos desvios de R$ 7,7 milhões de programa de reassentamento do Rodoanel Trecho Sul, empreendimento de governos do PSDB.

Antes de ser solto pelo ministro Gilmar Mendes, o ex-diretor da Dersa construiu um diário na prisão, documento também apreendido pelos investigadores da Ad Infinitum, que põem Vieira de Souza no centro de um esquema de lavagem de R$ 130 milhões supostamente destinados a políticos e ex-diretores da Petrobrás.

“Acabe com isso, negocie com o MP, negocie sua soltura, o trancamento dos inquéritos e o que mais souber. Por favor, por favor, a minha mãe, minha irmã e eu não devemos mais entrar nisso”, diz a filha.

Priscila continua. “Estou exausta, pai, é muita porrada diariamente. Você é o maior ladrão deste país hoje e isso nos fere profundamente. Estou muito estressada”.

Em seu diário de prisão, Paulo Vieira relata. “A Priscila demonstrou todo o seu descrédito na situação jurídica que estava ocorrendo e transparecendo a tristeza com a situação, me disse ter escrito em carta tanto ela, como também a Tatiana, sobre a possibilidade de fazer uma delação, podendo sair com maior rapidez da prisão injusta, porém real”.

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