A ‘whatsappização’ do mundo e a vida resumida a um emoji

A ‘whatsappização’ do mundo e a vida resumida a um emoji

Patricia Alves*

25 de agosto de 2021 | 04h45

Patricia Alves. FOTO: ANGELO PASTORELLO

Parece que perdemos a voz e nossa capacidade de expressão ficou resumida a uma figurinha.
Ultimamente áudios podem ser acelerados para que tudo fique ainda mais distante, automático e sem qualquer sinal de humanização.

Mais uma tecnologia desenvolvida para tornar o ser humano cada dia mais “desumano”.

Com a pandemia o “home office” passou a fazer parte da realidade de muitas empresas. Equipes passaram a não se conhecer ou pior ainda não se (re) conhecer.

Um simples telefonema é visto com um certo estranhamento ou até uma invasão.

A tecnologia deve ser bem-vinda e celebrada. Mas, passamos de qualquer limite.

Estamos perdendo a capacidade de nos relacionar com o mínimo de interação e afeto que nos difere dos outros seres.

Estamos cada dia mais exaustos, ansiosos, depressivos, sobrecarregados e frios.

É hora de repensarmos a comunicação, as demandas no trabalho e voltarmos duas casas.

Interagir é necessário para nos tornar mais criativo, solidário e fomentar nossa inteligência emocional.

Temos muito mais a oferecer do que uma simples figurinha ou um kkkkk.

Vivemos uma corrida para nos destacar nas redes sociais. Alguns fazem isso por trabalho, outros para satisfazer o ego, e há ainda aqueles que simplesmente querem aceitação do seu grupo social, ainda que inconscientemente.

Nem sempre as coisas saem como queremos.

Em uma sociedade já bastante digitalizada, esse “fracasso” pode gerar tristeza, angústia, ansiedade e cria uma realidade paralela “da vida instagramável”.

Onde todos são felizes, apaixonados e lindos…

Mas, no fundo entre emojis e foto de comercial de margarina escondem doses cavalares de antidepressivos.

Estamos todos prestes a pagar a conta do analista para definitivamente não ter que saber ou dar conta de quem somos…

Cazuza tinha razão…

*Patricia Alves é jornalista graduada pela FMU de São Paulo e pós-graduada em Comunicação Coorporativa pela Fundação Casper Líbero. Diretora da Patwork, membro do Comitê de Comunicação da LoveTogether Brasil, conselheira da ONG Aliança Solidária e idealizadora de projetos voltados para o combate ao feminicídio na ONG Bem Querer Mulher. Repórter de TV no programa Empresários de Sucesso da Band News, Band Internacional e canal Terra Viva e colunista da revista Mensch

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.