A voz dos colaboradores guia a gestão de uma empresa

A voz dos colaboradores guia a gestão de uma empresa

Alex Frachetta*

13 de agosto de 2020 | 03h30

Alex Frachetta. Foto: Divulgação

Já podemos dizer, sem dúvida nenhuma, que o ano de 2020 foi de muito aprendizado para gestores e equipes. Enfrentar uma pandemia e, ao mesmo tempo, ter que se adaptar ao home office de forma tão rápida não foi um desafio fácil. E se torna ainda mais complicado quando a empresa está em crescimento e contratando novos funcionários, que não vivenciaram o dia a dia com seus colegas, in loco. Para muitos líderes pode parecer delicado manter um time envolvido com as atividades profissionais diariamente, mas pela minha experiência posso afirmar que é possível deixar que o distanciamento não atrapalhe a comunicação profissional e, principalmente, a pessoal. Mas, como podemos estimular nossos colaboradores, antigos ou novos, a permanecerem engajados com a cultura corporativa?

Um dos pontos principais nesse momento é nos aproximarmos uns dos outros. No trabalho presencial, os pequenos feedbacks do dia a dia, que poderiam acontecer informalmente no caminho do almoço ou em um café, agora precisam acontecer de forma virtual, em uma sala de reunião online. Para o gestor, existe o receio da mensagem não ser bem compreendida e muitas vezes, pode desestimular o funcionário. Para que isso não aconteça, é importante manter o contato pessoal com o time, de forma leve e agradável.

Mesmo trabalhando remotamente, estimular a cultura e os valores da empresa se faz necessário. No entanto, sabemos que é difícil manter uma cultura viva, de forma 100% online, então, o diálogo é cada vez mais importante. Para liderar uma equipe, é fundamental se conectar aos aspectos pessoais também. Podemos (e devemos) conhecer todos do time, mesmo que pela tela do notebook. Por exemplo, criamos uma intranet em que as pessoas podem se apresentar, contando hobbies, comidas favoritas, tipos de música que gostam. Começa por aí e depois os relacionamentos vão evoluindo a partir das afinidades.

Mas, será que são ações suficientes para manter uma equipe engajada aos valores da organização? É indiscutível que as ferramentas de hoje colaboram (e muito!) para trazer os funcionários para perto. E são esses mesmos instrumentos que podem nos auxiliar com a gestão de pessoas. Não basta estar presente para orientar e acompanhar seu time, é preciso participar e conhecer hábitos, gostos e ouvir os diferentes pensamentos e vivências de cada um. O lado pessoal conecta e faz com que o trabalho ganhe mais força.

As videochamadas, por exemplo, tem sido uma grande aliada para que todos os funcionários consigam interagir com diferentes setores da empresa, além de colaborar bastante para a sinergia entre os times e a integração nos trabalhos. Além disso, é como se a gente conseguisse entrar um pouquinho na casa de cada um, para conhecer melhor suas rotinas. Essa aproximação virtual, também resgata dentro da gente aquilo que vivíamos antes.

E os funcionários que acabaram de chegar na empresa? É possível conectá-los a uma equipe que já estava integrada? Pela minha experiência, sim. Vi colaboradores que não tiveram contato com a cultura da startup, de forma presencial, pegarem o ritmo diário de trabalho e a forma de se comunicar com o time, em tempo recorde. Para estimular isso, os novos profissionais podem passar um dia inteiro em onboarding para conhecer os squads e os colegas, por exemplo.

Outro ponto importante que enxergo como líder é a transparência. É importante mostrar com sinceridade que o trabalho pode ser intenso, mas que mesmo durante a pandemia pode trazer resultados positivos. Também é fundamental celebrar todas as pequenas vitórias com a sua equipe. Essa atitude parece simples, mas motiva a seguir em frente de forma mais saudável.

E agora, levanto a reflexão: somos capazes de trabalhar no home office para sempre? Nicholas Bloom, economista de Stanford, publicou um novo estudo sobre o mercado de trabalho americano, analisando o impacto do trabalho remoto diante da pandemia. Questionados se desejam se manter trabalhando de casa no pós-covid, 20,3% dos americanos da pesquisa de Bloom indicam que não desejam. Outros 19% disseram ‘raramente’, 8,2% ‘uma vez por semana”, 22,8% de duas a três vezes e 24,2%, cinco dias por semana.

Essa pesquisa reflete que a maior parte dos trabalhadores ainda sente a necessidade, e porque não dizer a falta, do contato humano. Acredito que as reuniões a distância nunca substituirão o presencial. O cara a cara é muito importante e a forma de aprendizado e absorção é diferente. Talvez o formato híbrido de trabalho, em parte remoto, em parte presencial, possa parecer algo mais próximo do que gostaríamos de viver. A possibilidade de escolha dentro dessas opções, nos leva a autogestão das nossas atividades profissionais. E a pandemia fez com que muitas empresas entendessem que, a liberdade pode trazer resultados positivos para a equipe e também para os seus negócios.

*Alex Frachetta é fundador e CEO do Apto, marketplace que conecta com potenciais compradores de imóveis novos a construtoras e empreendimentos. Pós-graduado em Inteligência de Mercado e graduado em Administração de Empresas. 

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