A vitrine da saúde: aquisições que movimentam (e qualificam) o mercado

A vitrine da saúde: aquisições que movimentam (e qualificam) o mercado

Lídia Abdalla*

21 de maio de 2019 | 06h00

Lídia Abdalla. FOTO: DIVULGAÇÃO

Assistindo a um processo de consolidação, o setor de saúde brasileiro experimenta desde o início dos anos 2000 um movimento direcionado a inúmeras fusões e aquisições que, com o passar do tempo, ganha ainda mais força.

Podemos enxergar que essa é uma tendência mundial, visto que a área de saúde e ciências da vida vem despertando interesse de investidores de forma global.

Segundo relatório divulgado pela Merger Market consolidando as fusões e aquisições da área de pharma, medical & biotech, o primeiro semestre de 2018 superou todos os registros desde 2001.

Segundo a publicação, o setor formalizou entre janeiro e junho de 2018 um total de US$ 221,6 bilhões em fusões e aquisições. Esse dado representa 11,3% no mercado mundial de transações. No mesmo período de 2017 a representatividade do setor no montante mundial era de 8,5%.

Especialmente no Brasil, a área de medicina diagnóstica é uma das que mais apresentam crescimento em aquisições nos últimos tempos. Somente em 2018 podemos destacar três grandes transações.

Além da aquisição de 100% da brasileira Medical Medicina Laboratorial e Diagnóstica, em São Caetano do Sul, pelo Sabin, o Dasa adquiriu a ValeClin, laboratório de análises clínicas de São José dos Campos, no interior de São Paulo; e o Fleury concluiu o processo de aquisição total da Newscan, controladora da Lafe Serviços Médicos.

Ao estudar esse mercado, podemos observar um relatório publicado pela PWC Brasil que coloca a área de serviços de saúde no top 5 dos setores com maior preferência de investimentos, visto que somente em 2017 foram anunciadas 33 transações e, em 2018, esse número subiu para 43 – um crescimento real de 30%.

Tratando especificamente do subsetor de hospitais e laboratórios, um relatório da KPMG aponta que as fusões e aquisições desse segmento vêm crescendo com o passar dos anos.

Uma análise histórica por eles publicada considera 9 transações realizadas em 2014; 15 processos concluídos em 2015; 31 negociações finalizadas em 2016; e 50 transações de fusões e aquisições feitas dentro do segmento em 2017, dado mais alto desde 1998, quando a consultoria iniciou as análises.

Com tantos movimentos indicativos de transações, o cenário de saúde alinha-se à expectativa positiva de uma retomada gradual de crescimento econômico no país, que deve ganhar mais força após a aprovação das reformas que seguem em discussão no governo.

Concretizada essa expectativa, as empresas ganham fôlego para investir e contratar; a taxa de desemprego entra em declínio ao mesmo tempo que as operadoras de saúde ganham novos beneficiários. Isso devido ao fato de que a ANS afirma que 67% dos planos de assistência médica em vigor hoje no país são coletivos empresariais, ou seja, entram no quadro de benefícios ofertados pelas empresas aos seus funcionários.

E chegamos a um ciclo virtuoso no qual todo o sistema de saúde brasileiro ganha.

Considerando que saúde pública e saúde suplementar – como o próprio nome já diz – não são sistemas concorrentes, mas sim complementares em busca do objetivo único, que é oferecer atendimento de qualidade a todos os mais de 210 milhões de habitantes da nação, os processos de fusões e aquisições que deverão começar a ser desenhados após a firmeza de um crescimento econômico prometem melhorias diretas também para os pacientes.

Transações como essas já mencionadas resultam em ganhos de eficiência nas instituições. A escalabilidade promovida dentro desses processos de consolidação reduz os custos operacionais e permite maior investimento em gestão, qualificação dos colaboradores e em novas tecnologias.

Além disso, regiões mais afastadas dos grandes centros começam a perceber melhorias reais na qualidade do atendimento prestado ao paciente. Laboratórios que investem em processos de fusões e aquisições trabalhando focados no interior do país, por exemplo, conseguem levar uma qualidade assistencial a cidades que antes nunca tiveram acesso a determinados tipos de serviços.

E, quando falamos em um ciclo virtuoso, não podemos deixar a inovação tecnológica de fora desse movimento.

O ganho de escala leva a novas possibilidades de investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação; por sua vez, os investidores, nacionais ou internacionais, além de se sentirem atraídos por um sistema de saúde capaz de atender uma das mais densas populações do mundo, também estão atentos às marcas que são capazes de incorporar tecnologias como inteligência artificial e big data para melhorar os processos de saúde com base em mais eficiência e maior transparência.

É um movimento que deve se fortalecer com o tempo, visto que empresas brasileiras já entendem a importância de apostar em ferramentas de gestão que levam a ganhos de eficiência, reduzem custos e garantem a manutenção do paciente no centro do cuidado. É absorvendo de forma rápida e inteligente as novidades tecnológicas que a saúde brasileira conseguirá construir um mercado a cada dia mais assertivo, indispensável e interessante para investimentos.

*Lídia Abdalla é CEO do Grupo Sabin e membro do Conselho Deliberativo da Abramed

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