A virada de chave do setor hoteleiro no pós-crise

A virada de chave do setor hoteleiro no pós-crise

Claudio Cordeiro*

25 de novembro de 2020 | 13h45

Claudio Cordeiro. FOTO: DIVULGAÇÃO

O setor hoteleiro é um dos mais rentáveis da economia mundial, mas é também um dos que mais estão sofrendo os impactos causados pela pandemia do novo coronavírus. Após meses de portas fechadas, hotéis e pousadas começam a reabrir com a retomada gradual das atividades por todo o país, mas com um ‘novo normal’. Assim como aconteceu em diversos setores, a expectativa é visualizar um mercado hoteleiro cada vez mais digital em processos internos e, principalmente, no atendimento ao cliente, que deve exigir mudanças adaptadas ao cenário de distanciamento social, por conta de questões sanitárias.

De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o turismo já acumula mais R$ 207 bilhões de perdas, de março a agosto, período no qual foram fechados quase 50 mil estabelecimentos ligados à cadeia turística. Diante disso, a reabertura e o reaquecimento do mercado hoteleiro nesse momento passa obrigatoriamente por investimentos em soluções que permitam o gerenciamento e realização de atividades com o mínimo de contato físico possível, algo que se torna prioridade para muitos clientes na hora de escolher o local onde irá se hospedar.

Apesar de ferramentas e plataformas que promovem tais facilidades não serem uma novidade nesse mercado, a aderência do setor nunca foi das maiores. Mas agora, depois de todo o cenário sem precedentes que o mundo vivenciou com a pandemia, o setor parece ter aberto os olhos para a tecnologia. Soluções tecnológicas para acelerar o processo de check-in e otimizar as atividades de governança, por exemplo, além de adequadas à nova realidade, de menor interação social, promovem economia de médio e longo prazo, o que será de grande importância para a recuperação da saúde dos negócios daqui em diante.

Não há mais tempo para esperar. Assim como todos os setores estão se tornando cada vez mais digitais, o mercado hoteleiro precisa aderir às alternativas disponíveis para melhorar a sua produtividade. Apesar de um crescimento na contratação dessas plataformas, grande parte das instituições ainda não utiliza todos os benefícios que as ferramentas oferecem, seja por falta de conhecimento, quantidade de pessoas, ou até pela cultura. São mudanças muitas vezes sutis, mas que geram um ganho operacional gigante, com processos mais rápidos e que podem ser feitos na tela de um simples smartphone ou tablet.

Isso sem contar os ganhos de sustentabilidade que as soluções tecnológicas podem promover ao mercado hoteleiro, que praticamente anulam a necessidade de papel em todos os processos de um hotel ou pousada, como comandas, fichas de hóspedes, e outros documentos de controle interno.

Chegou o momento de quebrar paradigmas no setor e sair da “zona de conforto da gestão”. Isso significa que o hoteleiro precisa estar disposto a mudar alguns conceitos antigos, o futuro está na preparação de um local adaptado a uma nova realidade, com pessoas treinadas, processos ágeis, simplificados, acompanhamento e gestão de qualidade. Fatores que demandam investimento de tempo e dinheiro, mas que garantem como retorno a excelência de serviços e atendimento, características que nunca serão obsoletas para o hóspede.

*Claudio Cordeiro é diretor de Hospitalidade da TOTVS, responsável pelo desenvolvimento de soluções para meios de hospedagem de médio e grande porte

Tudo o que sabemos sobre:

Artigohotelaria

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.