‘A vida dos machistas está ficando cada dia mais difícil’, afirma Luiza Eluf

‘A vida dos machistas está ficando cada dia mais difícil’, afirma Luiza Eluf

Ex-procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo, hoje advogada, se reúne neste sábado, 26, com colegas para traçar ‘os próximos passos rumo à verdadeira igualdade de gênero’

Julia Affonso

26 Maio 2018 | 09h32

Luiza Eluf. Foto: Arquivo Pessoal

A advogada criminalista Luiza Eluf é taxativa: “A vida dos machistas está ficando cada dia mais difícil.” A ex-procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo e outras colegas suas – da instituição e do Judiciário – vão se reunir neste sábado, 26, para começar a traçar ‘os próximos passos rumo à verdadeira igualdade de gênero’.

Com a grande greve dos caminhoneiros, afirma Luiza Eluf, muitas mulheres não conseguirão participar do encontro. A reunião, então, será um começo, ‘uma tomada de consciência’.

“Nas Instituições, atualmente, o machismo tenta tornar as mulheres invisíveis. Elas não estão presentes nas mesas dos grandes eventos, elas não aparecem nas notícias divulgadas externa e internamente, elas não ocupam cargos de direção institucional, elas não são valorizadas mesmo que realizem grandes feitos”, relata.

LEIA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA

ESTADÃO: Existe machismo no Ministério Público de São Paulo?

LUIZ ELUF: Existe machismo no Brasil inteiro, no mundo inteiro! Nas Instituições, ele se manifesta tanto de forma velada quanto explícita, mas a vida dos machistas está ficando cada dia mais difícil.

ESTADÃO: Como o machismo se manifesta nas instituições?

LUIZ ELUF: O machismo tenta tornar as mulheres invisíveis. Elas não estão presentes nas mesas dos grandes eventos, elas não aparecem nas notícias divulgadas externa e internamente, elas não ocupam cargos de direção institucional, elas não são valorizadas mesmo que realizem grandes feitos. Não recebem condecorações, não são nomes de sala e não possuem retratos nas paredes. Existe, também, por parte de certos homens, a estratégia de tornar o ambiente hostil à mulher, como não olhar diretamente para uma interlocutora, baixando os olhos ou focando o olhar em quadros, como se não quisessem ver nem reconhecer a presença de uma mulher. Isso sem mencionar as tentativas de assédio ou o desrespeito. Quando comecei minha carreira (em 1983), não havia banheiro feminino para as promotoras do Fórum Criminal de São Paulo! Não existe maior desconforto.

ESTADÃO: As promotoras e procuradoras de Justiça se rebelaram contra o machismo?

LUIZA ELUF: Não diria que está ocorrendo uma ‘rebelião’, mas sim uma tomada de consciência.

ESTADÃO: O que será discutido no encontro?

LUIZ ELUF: Nossa reunião do dia 26 de maio ficou prejudicada devido à greve dos caminhoneiros. A locomoção tornou-se impossível para varias colegas de todo o Brasil. Então, faremos amanhã um encontro menor e traçaremos os próximos passos rumo à verdadeira igualdade de gênero.

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