A verdade por trás da guerra cibernética

A verdade por trás da guerra cibernética

Aviões lançam bombas sobre a população e ataques cibernéticos buscam desestabilizar governos

Luli Rosenberg*

10 de março de 2022 | 14h15

Luli Rosenberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Vivemos em uma época em que o uso de armamentos de fogo em guerras é raro. Mas isso, infelizmente, não faz com que os conflitos sejam menos frequentes ou letais.

Quando invasões como a da Rússia à Ucrânia ocorrem, o que infelizmente chega em sua segunda semana, sofrimento e mortes são inevitáveis.

Porém, a batalha em solo ucraniano apresentou ao mundo uma nova realidade chamada de guerra combinada. Enquanto aviões inimigos lançam bombas sobre a população e forças armadas nacionais lutam para salvar o máximo de civis, outra grande batalha também está sendo travada à distância com o uso de teclados e mouses.

Trata-se das guerras cibernéticas. Essa é uma forma de combate que causa estragos estratégicos a infraestruturas governamentais, invadindo endereços eletrônicos, serviços públicos digitais e interrompendo operações bancárias.

E nesse caso, se um ciberterrorista atacar uma central, gerando danos a população, os governos precisam estar preparados para protegê-los.

Dias antes da invasão russa, malwares (vírus de computador) foram injetados em computadores do governo ucraniano. De acordo com os principais fabricantes de soluções de defesa cibernética houve um aumento de 196% no número de ataques contra o governo da Ucrânia. Enquanto a Rússia sofreu um aumento de ataques de apenas 4%. O interessante, porém, é que esses 4% afetaram a Rússia de forma mais eficaz. Isso, graças à intervenção de diversos grupos de hackers que decidiram tomar partido e intervir em favor da Ucrânia, como o famoso grupo Anonymous.

Como as distâncias não são mais empecilho, o receio é de que essa guerra cibernética se espalhe mundo afora. Assim, há suspeitas de que o ataque à principal fornecedora da Toyota, a Kojima Industries, no mesmo dia em que o Japão se uniu aos governos ocidentais na retaliação contra a Rússia, restringindo operações financeiras, tenha vindo como resposta a uma mensagem clara do governo russo.

Nesse contexto, é importante evidenciar o fato de que esse ataque cibernético que causou a paralisação da produção da Toyota não teve como motivação recompensa financeira. Não se trata de um grupo de hackers mal-intencionados que buscam usar extorsão como método para ganhar dinheiro. Agora, estamos lidando com governos que têm como objetivo mostrar sua força no campo cibernético.

Se há alguma coisa que podemos levar desse lamentável episódio de guerra combinada é o aprendizado de prevenção. Todos nós: governos, órgãos públicos, empresas privadas e até mesmo cidadãos comuns devemos nos precaver e começar imediatamente a trabalhar no quesito da segurança cibernética, porque se hesitarmos um pouco, provavelmente será tarde demais.

Que tenhamos dias melhores, de paz e prosperidade!

*Luli Rosenberg é Hacker Ético e professor na CySource. Mexe com programação e tecnologia desde a infância. É formado em Administração de Empresas pelo Centro Acadêmico de Tecnologia Lev (Jerusalém, Israel), além de graduado em Hacking ético e Análise de Malwares pelo instituto ITSafe de Segurança Cibernética (Tel Aviv, Israel) e formado em Combate a Crimes digitais e Perícia Forense Digital pelo IFCI (EUA). Luli também é membro de fóruns internacionais de hackers éticos e palestrante de cibersegurança ofensiva e defensiva

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