A Usina São Paulo e o controle de cheias na Região Metropolitana de São Paulo

A Usina São Paulo e o controle de cheias na Região Metropolitana de São Paulo

Marcio Rea*

11 de setembro de 2020 | 06h30

Marcio Rea. FOTO: EMAE/DIV.

Ao ler o artigo São Paulo vai inundar de novo e a culpa será de São Pedro, do Sr. José Eduardo W. de A. Cavalcanti, publicado no dia 9 de setembro, o leitor pode ser induzido a pensar que o sistema de controle de cheias da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) está reduzido ao Canal Pinheiros, com suas duas usinas elevatórias (Pedreira e São Paulo, antiga Usina Elevatória de Traição). Na realidade, o complexo engloba rios e córregos da RMSP, se estendendo para o Médio Tietê e Baixada Santista.

No caso das chuvas de fevereiro, o autor não leva em consideração a magnitude do evento – segundo o INMET, choveu 114 mm, o segundo maior volume diário de chuvas para o mês de fevereiro em 77 anos – tampouco as medidas mitigatórias que o controle de cheias proporcionou.

Para se ter uma ideia, em um único ponto do sistema, na barragem Edgard de Souza, choveu em 24 horas 121% do que era previsto para o mês de fevereiro inteiro. Na confluência do Canal Pinheiros com o rio Tietê, a chuva foi de 84% do previsto para o mês. Mesmo assim, o sistema de bombeamento atuou conduzindo as águas para o reservatório Billings, evitando maiores transtornos para a população.

Ao afirmar que “recomenda-se fortemente a instalação de novas bombas nas usinas do Pinheiros”, o autor não indica qual estudo técnico o levou a essa conclusão, assim como não explica a origem do orçamento de R$ 500 milhões, que afirma ser necessário para implantação de novas bombas.

A transformação da Usina São Paulo em um centro de lazer, compras e escritórios não impede eventuais projetos de ampliação do sistema de controle de cheias. O objetivo aqui é a junção da atividade original da usina elevatória com novos usos, abrindo espaços de convivência para a população. Como exemplo, podemos citar a Sala São Paulo, um dos orgulhos do nosso Estado, que conjugou uma estação ferroviária com uma das melhores salas de concerto do mundo, a Usina São Paulo também permitirá a convivência de duas atividades distintas em um mesmo espaço.

Para que o leitor não seja induzido a conclusões baseadas em informações parciais, é importante destacar que o projeto de revitalização da área no entorno da Usina São Paulo não é uma iniciativa isolada. Integra o Programa Novo Rio Pinheiros, no qual o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente e das empresas a ela vinculadas, vem atuando para tornar o Pinheiros um exemplo de recuperação ambiental. Entre as ações já em andamento, temos o desassoreamento, que proporciona o aprofundamento da calha e possibilita a recepção das ondas de cheia e a ampliação do tempo para transitar os volumes d´água, seja bombeando, seja descarregando de forma controlada para o Rio Tietê. Desde o início deste projeto, foram removidos 240 mil m³ de sedimentos em desassoreamento do leito do canal, volume que  corresponde a mais de 15 mil caminhões basculantes. Além disso, foram retiradas do canal 12 mil toneladas de resíduos, entre garrafas pet, bicicletas, pneus e plásticos.

Outra ação em andamento é a recuperação da qualidade das águas do Canal Pinheiros, com a coleta, afastamento e tratamento de esgotos pela Sabesp, fato que permitirá a retomada do bombeamento em frequências maiores, também criando condições propícias para recepção e amortecimento das ondas de cheias.

Para o bem do debate, não se pode abordar a questão do controle de cheias na RMSP de forma parcial. Essa função é essencial e merece grande atenção, como de fato tem sido a tônica deste Governo. O tema merece uma análise mais ampla, visualizando os benefícios que a revitalização da Usina São Paulo trará para a sociedade.

*Marcio Rea é diretor-presidente da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae)

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