A transformação da educação dos municípios pela leitura

A transformação da educação dos municípios pela leitura

Lívio Giosa e Wander Soares*

20 de dezembro de 2019 | 05h30

FOTO: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

A leitura e o desenvolvimento do gosto pelos livros têm sido focos de justa preocupação dos educadores. Alguns estudos acadêmicos vêm gerando políticas governamentais há muito tempo. Entretanto, não se pode dizer que os resultados sejam bons e, muito menos, que a escola tenha contribuído para disseminar o habito de fazer da leitura um ato de lazer e de aprendizado.

Evidência disso é a posição do Brasil na última edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), promovido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), abrangendo estudantes na faixa etária de 15 anos.

Na avaliação, focada em leitura e realizada em 2018, ficamos em 59º lugar, dentre 80 países. A desconfortável classificação contrasta com a diminuição da taxa nacional de analfabetismo, que saiu de 46%, em 1960, para 29%, em 1970, e chegou em 2018 a 7%. Depreende-se que alfabetizar não basta. É preciso estimular a leitura e exercitar a compreensão dos textos.

O acesso ao livro tem se mostrado imprescindível para o desenvolvimento da leitura, conforme demonstrou recente pesquisa do Instituto Pró-Livro, que avaliou o impacto da existência de bibliotecas na aprendizagem dos alunos da Educação Básica. Nas escolas que contavam com esses equipamentos, os estudantes alcançaram aproveitamento superior em todas as matérias.

A biblioteca deve ser franqueada desde as classes iniciais para a imediata familiarização com os livros. E quais obras oferecer? A primeira questão a ser considerada é que se a leitura não for fonte de prazer não será uma experiência a ser repetida. O hábito vem depois que se experimenta a sensação lúdica desse exercício. Assim, a seleção do que oferecer deve merecer um cuidado especial, para evitar, como dizia Monteiro Lobato: “vacinar as crianças contra o livro”.

Estudo recente do IBGE, indicou que dos 5.570 municípios brasileiros, cerca de 985 deles tem uma Livraria!

Quando se pensa em macro transformações da Educação no Brasil, a medida mais coerente é olhar para os municípios.

É aqui que se dá o vínculo permanente da cidadania e a presente convivência entre poder público, escola, alunos, professores, pais e comunidade.

Esta proximidade garante uma melhor performance e alto comprometimento entre todos estes agentes.

A gestão da educação se torna muito mais eficaz estabelecendo-se indicadores e metas a serem cumpridas.

Com os professores mais motivados pela valorização de sua importância na comunidade, o alunato se inspira também numa melhor aplicação dos seus estudos.

No Brasil, há exemplos significativos de implementação desta metodologia nos municípios. Aí está o caso de Sobral e outras tantas Cidades do Estado do Ceará com performance e modelos virtuosos.

Os brasileiros precisam inserir-se de modo mais acentuado e rápido no universo da nova sociedade do conhecimento vencendo os números negativos do PISA e de outros Institutos atendendo à recomendação da Unesco de ampliar o acesso aos livros.

Como demonstrou o estudo da Amazom.com, a leitura produz felicidade. E faz isso não apenas em caráter individual, mas também coletivo, porque é uma das grandes bases de desenvolvimento de um povo.

Por fim, devemos sempre ter em mente que o conhecimento, a informação e o saber garantem liberdade e independência. São a base mais segura para o acesso à qualidade de vida, e em todos os seus aspectos. Afinal, como disse Monteiro Lobato: “quem mal lê, mal fala, mal ouve, mal vê”.

E os municípios têm papel fundamental na virada desta página da educação, com foco na leitura e melhoria evidente da escrita para toda a população.

*Lívio Giosa, presidente do Centro Nacional de Modernização Empresarial; vice-presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil; coordenador do Pensamento Nacional das Bases Empresariais

*Wander Soares, presidente da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil; presidente da Academia Paulista de Educação; coordenador do Pensamento Nacional das Bases Empresariais

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