A tornozeleira do delator falhou!

A tornozeleira do delator falhou!

Fernando Moura, lobista preso em 2015 com José Dirceu na Operação Pixuleco, está em prisão domiciliar em Vinhedo, interior paulista, mas sinal da operadora não pegou e Justiça mandou trocar acessório

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

26 de novembro de 2016 | 05h35

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Vinhedo. Foto: Prefeitura de Vinhedo

Falhou a tornozeleira eletrônica do lobista Fernando Moura, condenado a 16 anos e dois meses de prisão na Operação Lava Jato. Cumprindo prisão domiciliar em Vinhedo, no interior de São Paulo, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Moura teve de trocar o equipamento por falha na captação do sinal.

Conhecida como a ‘cidade da Uva’, Vinhedo tem cerca de 75 mil habitantes. O município fica a 80 quilômetros de São Paulo, na região de Campinas. Ali também tem casa o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), condenado a 20 anos na Lava Jato por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O lobista Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura durante depoimento na CPI da Petrobras, na sede da Justiça Federal, em Curitiba (PR). Foto: RODRIGO FÉLIX LEAL/FUTURA PRESS

O lobista Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura durante depoimento na CPI da Petrobras, na sede da Justiça Federal, em Curitiba (PR). Foto: RODRIGO FÉLIX LEAL/FUTURA PRESS

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Vinhedo. Foto: Prefeitura de Vinhedo

O monitoramento eletrônico é usado principalmente na fase de execução da pena ou como medida protetiva de urgência. A tornozeleira tem tecnologia GPS que determina a localização por satélite.

Moura foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro por envolvimento com o esquema de propinas instalado na Petrobrás. O lobista é um dos delatores da Lava Jato. Amigo de Dirceu, ele perdeu os benefícios após confessar que furou o acordo ao mentir em depoimento ao juiz Sérgio Moro.

Moura foi preso na Operação Pixuleco, desdobramento da Lava Jato, em 3 de agosto de 2015, por envolvimento com o esquema de propinas instalado na Petrobrás. O lobista havia sido solto após fechar a colaboração, mas voltou a ser detido em maio deste ano, depois de apresentar versões conflitantes.

Em 4 de novembro, após decisão do STF, Fernando Moura colocou a tornozeleira. Seis dias depois, a juíza federal substitua Carolina Moura Lebbos, da 12.ª Vara Federal, em Curitiba, foi informada sobre a falha no equipamento.

“Informo que a tornozeleira eletrônica colocada no executado encontra-se sem sinal desde o dia 5 de novembro. Informo, ademais, que foi tentada a captação de sinal pelos meios usuais, sem sucesso”, relatou Celine Salles Migdalski, da Direção da Secretaria da 12.ª Vara Federal.

“Investigando, descobriu-se que o equipamento tem instalados simcards das operadoras Tim e Claro, sendo que, segundo informação recebida do executado, na região de sua residência a operadora com maior abrangência de sinal é a Vivo.”

A juíza Carolina Lebbos, então, intimou Moura a comparecer à Vara em 5 dias.

“O condenado provisório compareceu na Secretaria da Vara para a substituição do equipamento de monitoração eletrônica. Conforme o documento, o monitorado teve o novo equipamento (nº 0316040546) instalado às 14h04min16s, do dia 16 de novembro de 2016 (histórico de equipamentos)”, destacou a magistrada.

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