A Temer, delegados dizem que troca no comando da PF é ‘salutar’

A Temer, delegados dizem que troca no comando da PF é ‘salutar’

Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal encaminha ofício ao presidente defendendo um novo nome para o comando da corporação

Mateus Coutinho e Fábio Fabrini

13 de fevereiro de 2017 | 15h54

adpftemer

A Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) encaminhou nesta tarde ao presidente Michel Temer (PMDB) um ofício pedindo a troca do diretor-geral da corporação, o delegado Leandro Daiello. No ofício de duas páginas assinado pelo presidente da ADPF Carlos Sobral, a entidade afirma que a mudança é “salutar para a instituição e para a continuidade das grandes operações policiais”.

Documento

A ADPF pede ainda que o presidente da República, a quem cabe escolher o nome e decidir sobre a eventual troca do diretor-geral da Polícia Federal, leve em consideração algum nome da lista tríplice votada pelos delegados para o comando da PF. A defesa de uma lista tríplice escolhida pelos próprios delegados a ser encaminhada para o presidente é uma das bandeiras defendidas pela categoria.

“Uma vez indicado um dos Delegados integrantes da Lista Tríplice, aprovados pela categoria após criteriosa seleção e aprovação de seus nomes em sufrágio que contou com mais de 1.300 Delegados de Polícia Federal, nenhum prejuízo haverá àquelas investigações dada a qualificação técnica e o profissionalismo dos delegados escolhidos”, segue o ofício.

A entidade atribui à gestão de Daiello a saída de delegados que integravam a força-tarefa da Lava Jato e vê risco de prejuízo às investigações com a permanência do atual chefe, que está há mais de seis anos no comando da corporação.

A decisão de abrir uma campanha explícita para derrubar o diretor-geral – inédita na história da PF – foi aprovada em assembleia na sexta-feira passada por 72% dos participantes. O movimento busca aproveitar a provável mudança no comando do Ministério da Justiça para trocar também a direção da PF.

Reforço. A Polícia Federal informou que, ao contrário do que sustenta a ADPF, foi reforçado o número de delegados responsáveis por inquéritos que tramitam perante o Supremo Tribunal Federal (STF), aqueles que têm como investigados políticos com foro privilegiado. A corporação, no entanto, não detalhou o número de profissionais que atuam nesse núcleo.

A PF também explicou que os recursos previstos no Orçamento da União para que sua superintendência no Paraná toque a Lava Jato em 2017 já foram empenhados e, portanto, estariam integralmente assegurados para o ano.

A PF não se pronunciou especificamente sobre o pedido de substituição do diretor-geral, Leandro Daiello.

Fontes da corporação, ouvidas reservadamente, sustentam que a iniciativa tem motivação política, já que o presidente da ADPF, Carlos Eduardo Miguel Sobral, foi filiado ao PT de Ribeirão Preto por sete anos – ele se desfiliou em 2004. Além disso, minimizaram a iniciativa, atribuindo-a a um grupo pequeno de policiais. Participaram da assembleia que deliberou por pedir a saída de Daiello 295 votantes, dos quais 212 (75%) foram favoráveis à substituição. O número representa 12% do total de delegados da ativa e aposentados.

A investida da associação dos delegados aproveita o momento de troca do ministro da Justiça para emplacar um novo diretor-geral, pleito antigo da associação, que anseia mais participação nas decisões da corporação. Nomeado em 2011, após a primeira eleição de Dilma Rousseff, Daiello é o delegado da PF mais longevo à frente da instituição. Outros dirigentes exerceram o cargo por mais tempo, mas não eram da carreira.

 

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