A tecnologia também é feminina: os desafios da equidade de gênero

A tecnologia também é feminina: os desafios da equidade de gênero

Sylvia Bellio*

21 de junho de 2021 | 05h30

Sylvia Bellio. FOTO: DIVULGAÇÃO

Os nomes de grandes lideranças como Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg são facilmente mencionados quando falamos em tecnologia. No entanto, a presença da figura feminina nesse ramo está crescendo de maneira significativa, apesar de, atualmente, representarem apenas 20% dos profissionais da área de tecnologia da informação, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A condessa Ada Lovelace escreveu o primeiro algoritmo, isso no século XIX, e é considerada a mãe da computação. Além dela, outras mulheres marcaram a história da tecnologia como Hedy Lammar, Grace Hopper, Jean Sammet e a mãe da internet, Radia Perlman.

Tantas mulheres importantes do passado e, também da atualidade do “universo tech”, porém, a baixa presença feminina se encontra até nas salas de aulas. São turmas de 40/50 alunos, sendo apenas 5/6 meninas. A pesquisa Estatísticas de Gênero, do IBGE, apontou que elas representavam 13,3% das matrículas nos cursos presenciais de graduação na área de Computação e Tecnologias e Comunicação, em 2019. Mesmo o setor de TI sendo considerado promissor, por que há poucas mulheres na TI?

O machismo de certa forma, sustenta a ideia de que atividades que envolvem ciências, tecnologia, engenharia e matemática, apresentam um grau de complexidade que não estaria ao alcance do domínio da mulher. No entanto, nos dias atuais a quebra deste paradigma está cada vez mais frequente, com as mulheres não somente se inserindo nestes setores como também demonstrando sua capacidade ao exercer múltiplas jornadas.

No entanto, esse cenário está mudando aos poucos com uma maior representatividade feminina nos altos cargos. Segundo o estudo CIO Survey 2020, elaborado pela KPMG e Harvey Nash, atualmente as mulheres representam 16% dos líderes de tecnologia na América Latina. A média global é de 11%.

  • Sororidade em prática: a expansão de conhecimento em tecnologia

Estas mulheres que estão conquistando o mercado de T.I. não têm medo dos desafios e encaram de frente os problemas como se fosse uma linguagem de computação. Buscam qualificações e correm atrás para conquistar o seu espaço. Além disso, também criam iniciativas para compartilhar conhecimento com mais pessoas e trazer mais diversidade para a área.

Para aumentar ainda mais a presença feminina na tecnologia, é preciso criar um ambiente acolhedor, por exemplo, as empresas formando ou contratando mulheres para cargos de liderança, assim como promover treinamentos e eventos voltados para mulheres.

A educação tem o poder para empoderar as jovens meninas e quebrar mais esse paradigma de que “meninos, são exatas e meninas, de humanas”. O governo, por sua vez, também tem um papel importante neste processo e precisa ampliar a oferta de matérias de informática, programação e empreendedorismo no currículo escolar. E o mais importante: incluir, incentivar, inspirar. Não apenas colocar a disciplina e deixar lá.

É importante reforçar a ideia de que as mulheres podem estar onde quiserem, inclusive na tecnologia e que, juntas, podemos conquistar nosso espaço.

*Sylvia Bellio é CEO & Co-Founder na Itltech, escritora das obras Simplificando TI, T.I de Salto e Impressões Digitais. Fundadora do Projeto Conte sua História e organizadora do livro Mulheres Além do Óbvio

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.