A tecnologia no processo de compra da União

A tecnologia no processo de compra da União

Fernando Salla*

16 de maio de 2019 | 07h00

Fernando Salla. FOTO: DIVULGAÇÃO

A lei da oferta e da procura também se aplica nas compras do governo. Quanto mais fornecedores participam de licitações, mais o Estado poderá economizar e é a partir dessa premissa que a tecnologia está mudando a economia das compras públicas.

Ano passado o governo brasileiro chegou a gastar R$ 90 bilhões em licitações de bens e serviços. A União é a maior compradora do país, e ela precisa de tudo, de itens de papelaria, até os de construção civil. Muito dinheiro gira em torno desse processo. Mas, infelizmente, ainda são poucas as empresas que participam de licitações.

Existe um imaginário popular de que apenas grandes organizações têm chances de vencer o processo licitatório e isso impede a popularização dos editais entre os pequenos empreendedores.

É desejo do governo que o dinheiro circule em diferentes camadas da indústria e comércio e por isso, desde 2014, há legislação para garantir a participação e a preferência para micro e pequenas empresas em licitações.

A Lei Complementar n.º 147, de 2014, diz: deverá ser concedido tratamento diferenciado e simplificado para as microempresas e empresas de pequeno porte objetivando a promoção do desenvolvimento econômico e social no âmbito municipal e regional, a ampliação da eficiência das políticas públicas e o incentivo à inovação tecnológica.

Mas não basta criar legislação, é necessário facilitar o suporte, e é nesse ponto que a tecnologia entra em cena. Por meio de ferramentas de automação, essas empresas, que contam com equipe e orçamento limitado, podem se tornar competitivas no cenário de compras públicas.

Veja bem, para uma empresa entrar em uma licitação ela precisa monitorar os editais que possuem afinidade com seu setor, preencher item por item de cada edital, realizar lances no leilão, sabendo o quanto podem diminuir seu preço, e por fim, em alguns casos, acompanhar o chat do pregoeiro.

Esse chat é a ferramenta usada para comunicação entre o governo e o licitante, e se o fornecedor não responde durante 5 ou 10 minutos, ele sofre uma penalidade que irá impactar na participação dele em futuras licitações. Para uma organização que não tem uma equipe exclusiva dedicada a compras públicas tudo pode ser muito complexo.

Hoje em dia já existem ferramentas que automatizam o processo e que possuem um valor acessível para as pequenas empresas. Em Brasília a empresa familiar A a Z Comercial conseguiu dobrar o seu faturamento a partir da adoção dessas tecnologias.

Antigamente eles precisavam preencher a mão os editais e conseguiam participar de apenas duas licitações por dia, com o uso de ferramentas de automação, agora conseguem participar de até seis editais por dia e ganham até 50% dos itens que concorrem.

Ao automatizar o processo o pequeno empreendedor passa a competir de igual para igual com outras grandes empresas, movimentando a economia de base e fazendo girar o dinheiro por diferentes camadas.

Mesmo assim, com a facilidade proporcionada pela tecnologia, poucas organizações consideram de fato vender para o Estado. Segundo uma pesquisa do Sebrae, apenas 11% das empresas em atividade já venderam para o governo. O número é muito baixo.

É necessário desmistificar a participação das micro e pequenas empresas. Muitos microempreendedores individuais, PMEs e varejistas não sabem que podem competir em licitações, e por isso ignoram essa possibilidade. Mostrar como vender para o Estado é uma vantagem que irá atrair novas empresas, gerar novos preços e facilitar a redução de custos da União.

*Fernando Salla, CEO da Effecti, empresa especialista em desenvolver soluções para automatização de fornecedores participantes de licitações

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