A tecnologia no Direito a favor do trabalho intelectual

A tecnologia no Direito a favor do trabalho intelectual

Ricardo Fernandes*

08 de julho de 2020 | 03h30

Ricardo Fernandes. FOTO: DIVULGAÇÃO

A tecnologia traz uma nova realidade ao mundo do Direito com diversas possibilidades e oportunidades. Ela permite desempenhar atividades com a rapidez e a precisão que talvez fosse impossível de outra forma. O desafio está em como relacionar todas as partes e processos envolvidos nas atividades jurídicas – que muitas vezes não se comunicam -, de forma que se tenha uma operação inteligente e eficaz.

Ter acesso às informações em um único ambiente favorece a criação da chamada “inteligência jurídica”, que permite aos advogados, escritórios de advocacia e departamentos jurídicos de empresas, identificar problemas operacionais, riscos, oportunidades de negócios, novas parcerias, fraudes processuais, entre outros. Para isso, Big Data Analytics e Inteligência Artificial se tornam essenciais, pois as ferramentas analisam milhares de bases de dados e trazem informações estratégicas de maneira automatizada e sistêmica.

As organizações encontram também nas soluções de deep learning (aprendizado profundo de máquina) grandes aliadas. Elas são capazes de dar mais visibilidade, detalhamento e avaliação de decisões judiciais e apoio às estratégias jurídicas, como a revisão do contingenciamento de processos, por exemplo. Isso vai ao encontro do que afirma Roland Vogl, renomado pesquisador de Stanford que fez uma palestra, online e gratuita, no Neoway DDB Talks 2020.  Cada vez mais, os clientes esperam previsibilidade, bom custo-benefício e transparência. E, de acordo com o professor, a tecnologia é fundamental nesse novo paradigma de serviços. Ignorá-la é um risco enorme para qualquer profissional de Direito.

Partindo dessa premissa, ferramentas avançadas de jurimetria são capazes de entender decisões e identificar padrões nos textos jurídicos. Elas têm um papel estratégico para as organizações conhecerem, a fundo, suas carteiras processuais. Isso porque as soluções trazem, informações relevantes sobre teses-raiz, predição de tempo e probabilidade de êxito de cada processo e de toda a carteira processual, tornando as estratégias das empresas mais eficientes.

Outra solução, que contém a maior base de processos do País, com mais de 345 milhões de processos indexados, mostra que, desde março, quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) criou o assunto “Covid-19”, já foram identificados mais de 8.003 processos que tratam desse assunto, totalizando R$ 12 bilhões em valores de causas. Supondo que uma companhia seja parte de alguma dessas causas, o quanto antes ela tomar ciência, melhor para definir as providências e linhas de defesa necessárias.

A pandemia introduziu o novo tema, acelerou a transformação digital e, de maneira geral, trouxe à tona a importância da relação interpessoal. É possível perceber também essa relação no Direito. O sistema jurídico está ficando cada vez mais complexo, principalmente com a chegada de novas tecnologias. Entretanto, isso só evidencia o quão crucial é o fator humano: cada um dos(as) advogados(as) e profissionais é essencial. Por mais poderosa que a máquina seja, ela não traz o intelecto, característica primordial para o sucesso de qualquer prestação de serviço jurídico.

*Ricardo Fernandes é Chief Researcher da Neoway

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