A tecnologia e o crescimento da economia compartilhada

A tecnologia e o crescimento da economia compartilhada

Marcos Freitas Pereira*

11 de agosto de 2021 | 05h15

Marcos Freitas Pereira. FOTO: DIVULGAÇÃO

Novos tempos, novos hábitos e melhores formas de se fazer negócios. A tecnologia vem aproximando pessoas, mudando o senso de valores e as formas de se relacionar tanto social quanto economicamente. O que antes era fundamental ou status, agora já não é mais. Quer você goste ou não, os jovens da geração Y e Z, por exemplo, têm deixado de tirar a CNH nos últimos anos. Estaríamos lidando com uma geração desinteressada? Acredito que não.

A literatura econômica mundial tem dedicado tempo em pesquisar e escrever sobre esses avanços. Em pauta, as inúmeras oportunidades de se fazer negócios. A cada dia surgem novas startups onde a única tradição a ser seguida é mudar o mundo, esquecendo tudo o que se sabe em busca de soluções. E assim, nos diversos setores econômicos, a solução mais comum para essa nova economia tem se baseado no acesso e não na posse. Bens e serviços são compartilhados livremente entre as pessoas.

Através da tecnologia, plataformas físicas ou digitais facilitam o compartilhamento. O uso do carro através da plataforma UBER é facilitado pela tecnologia, além do relacionamento entre o motorista e o cliente. A compra de livros na Amazon e as indicações de livros da sua preferência são facilidades permitidas pela tecnologia. O aluguel de um apartamento pelo sistema AIRBNB é facilitado também pela tecnologia.

Outro fato é que as empresas que adotaram a estratégia de promover acesso através da tecnologia tiveram crescimentos superiores às empresas tradicionais. Um bom exemplo está no Estado de Goiás, que sedia hoje a maior comercializadora de multipropriedade imobiliária do segmento de turismo do mundo. O start para isso se deu a acompanhar tendências e soluções que deram certo em países turísticos da Europa e Estados Unidos proporcionando acesso a serviços e empreendimentos de altíssima qualidade e valores que cabiam no orçamento da classe média.

A antiga economia estava alicerçada na ideia de acumulação de bens. Ter o seu próprio carro, a sua casa de praia e os seus discos compactos eram sinônimos de prosperidade. Mas com o decorrer do tempo, acumulou-se um enorme ativo ocioso e às vezes perdido. E é, por isso, que na economia compartilhada a propriedade está sendo substituída pelo acesso. Não que com isso a propriedade deixará de existir. O que vai acontecer é a redução dos negócios baseados na propriedade para o crescimento dos negócios baseados no acesso.

Para essa e futuras gerações, o uso passa a ser mais importante do que o ter: eu não quero ter carro, eu quero usá-lo e ter acesso a inúmeros benefícios através de serviços. Outra vantagem da economia compartilhada é um melhor aproveitamento dos ativos do planeta. Com um uso mais racional, há a redução do impacto no meio ambiente. O planeta agradece e as gerações futuras também!

*Marcos Freitas Pereira é sócio e conselheiro da WAM Group

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