A tecnologia à frente do Open Banking

A tecnologia à frente do Open Banking

Telmo Costa*

06 de março de 2021 | 03h30

Telmo Costa. FOTO: ARTHUR CALAZANS

Um dos aprendizados da pandemia é que, cada vez mais, devemos olhar para a tecnologia como aliada capaz de prover soluções para auxiliar pessoas e empresas a vencer desafios com inovação e criatividade, dessa forma alcançando novos patamares de excelência em diferentes áreas. No último ano, grandes empresas passaram a buscar cada vez mais nas startups uma maneira de acelerar a digitalização, incorporar novas tecnologias e aumentar a competitividade. No mercado financeiro, o open banking deve alavancar ainda mais esse processo.

De acordo com um levantamento da Febraban, as transações bancárias feitas por pessoas físicas pelos canais digitais – internet e mobile banking – foram responsáveis por 74% das operações em abril do ano passado, um mês após o início da quarentena e das medidas de isolamento social.

Ao abrir o leque de alternativas disponíveis para o consumidor e dar a ele liberdade de escolher para onde quer levar suas informações financeiras, o open banking confrontará vários modelos de negócio, uma vez que seu objetivo é mudar toda a forma do sistema financeiro se relacionar com as pessoas. Muitos produtos deixarão de existir, e tantos outros surgirão, para competir com os atuais bancos e fintechs ou, ainda, complementar o que eles oferecem. Isso significa mais facilidade e economia de tempo para os clientes que desejam migrar de instituição ou meramente adquirir um novo produto financeiro de um banco ao qual ainda não é vinculado.

Contudo, a primeira e mais importante investida na criação de uma estrutura de open banking é garantir um ambiente seguro para os usuários. Países que implementam o sistema, como a Inglaterra, criam uma série de leis e regras para impedir o uso inadequado das informações, bem como impossibilitar o acesso aos dados quando o cliente não quiser mais utilizar determinado serviço ou produto.

Podemos considerar que uma das iniciativas que entraram em vigor em 2020 no Brasil já incentiva essa orientação sobre segurança da informação aos bancos brasileiros. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) exige que empresas e órgãos públicos tenham mais responsabilidade ao coletar, armazenar e usar os dados pessoais, e a previsão é que ela comece a autuar empresas que não se adequem às exigências a partir de setembro deste ano.

Assim, a atenção para o desenvolvimento e implementação de novas soluções e tecnologias seguras, além da manutenção de equipes que identificam situações divergentes do comportamento habitual do cliente, estarão no foco do segmento. Vale destacar que o setor bancário no Brasil é benchmark. Segundo a Febraban, os bancos brasileiros investem, anualmente, cerca de R$ 24,6 bilhões em tecnologia. E, com a adoção do open banking, a cifra aplicada em cibersegurança, inteligência artificial e analytics deve crescer ainda mais em 2021.

Investimentos em tecnologia tornarão mais pujantes as áreas jurídica, de RH e de back office – sobretudo no reconhecimento de imagens, assinaturas em cheques e modelos de risco de crédito, que, combinados com o analytics, possibilitarão interpretar informações e gerar KPIs mais robustos. Já os investimentos em chatbots e assistentes virtuais tornarão o atendimento mais ágil e personalizado.

A possibilidade de as instituições financeiras adotarem contratos digitais também deve promover investimentos em soluções de digitalização de documentos como o OCR (Optical Character Recognition) ou Reconhecimento Óptico de caracteres, que convertem informações contidas em imagens, como RG e Carteira de Habilitação, em dados estruturados e passíveis de consultas futuras.

Com mais usuários online e com a necessidade de digitalizar operações ou cadeias produtivas inteiras, o open banking será apenas viável com adaptações na infraestrutura tecnológica das empresas. Isso inclui a implantação de plataformas que permitam a conexão com seus parceiros, requisito básico para o funcionamento do sistema. A preferência é que elas sejam flexíveis e de arquitetura aberta, facilitando a integração por meio de APIs para o compartilhamento de dados.

O potencial de criação e investimento em novas tecnologias para o segmento nos próximos anos é imenso. Com certeza, teremos ainda muitas novidades que impactarão positivamente o cotidiano de empresas e pessoas.

*Telmo Costa, CEO da Meta

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