A tecnologia a favor da hotelaria

A tecnologia a favor da hotelaria

Bruno Guimarães*

03 de outubro de 2019 | 04h00

Bruno Guimarães. FOTO: DIVULGAÇÃO

O comportamento do consumidor mudou muito nos últimos anos. E na hotelaria não é diferente. Há alguns anos, antes de viajar, as pessoas providenciavam uma programação impressa, com todas as confirmações e informações levantadas ao longo de meses de pesquisas. A situação, hoje, é totalmente diferente e os turistas estão cada vez mais conectados e atentos as oportunidades. Pesquisam, realizam levantamentos completos, tomam decisões, compram as passagens e reservam hotéis com muito mais dinamismo e segurança pelos Apps, mobile ou site. Tudo em poucos minutos. Uma facilidade que beneficia também executivos que tiveram um imprevisto e não conseguiram voltar para casa, grupos de amigos que foram a um bar e não puderam voltar dirigindo ou alguém que ganhou uma folga de última hora e decidiu viajar. O mundo está cada dia mais dinâmico e de consumo instantâneo! De última hora!

E por trás desse novo cenário estão o empreendedorismo e, sobretudo, as novas tecnologias que contribuem, de forma decisiva, para o crescimento e desenvolvimento do mercado hoteleiro no Brasil. Assim, é cada vez maior o investimento em ferramentas, aplicativos e plataformas que oferecem novas experiências aos hóspedes. E a hotelaria, assim como outras áreas importantes da economia do país, segue adotando inovações para oferecer aos clientes, cada vez mais exigentes, serviços que agregam conforto, comodidade, praticidade, conectividade e rapidez a partir de alguns cliques.

De acordo com uma pesquisa do SPC Brasil, 74% dos brasileiros usam a tecnologia, mais precisamente, os smartphones em pelo menos um dos passos do processo de compra na internet.  Mas esse número sinaliza muito mais: quer dizer que esse público se vale de dispositivos mobile para pesquisar produtos e serviços (32%), comparar preços (28%) e realizar pagamentos (14%). Além disso, 33% revelaram utilizar o smartphone como principal ferramenta de compras, utilizando os aparelhos para a conclusão do processo, da pesquisa ao pagamento.

Em um cenário como esse, diversas plataformas de reservas de hotéis chegaram ao mercado e já funcionam como intermediárias nas operações entre turistas e hotéis.  A vantagem da maioria delas está nos preços vantajosos, diversas opções de destinos, produtos e nas pesquisas simples e completas. Além de uma ferramenta de reservas, os aplicativos para a rede hoteleira oferecem funcionalidades que incluem a localização de serviços gerais, a obtenção de informações turísticas e a identificação de opções de entretenimento.

E as possibilidades são em número cada vez maior. As vantagens dessas ferramentas também se estendem aos hoteleiros, pois muitas delas oferecem a possibilidade de ofertar os quartos a um maior número de clientes e para clientes que nãos seriam impactados sem a existência destas ferramentas.

As ferramentas tradicionais cobram taxa de comissionamento, muitas vezes abusivas. Diante deste cenário dinâmico, tecnológico e de oportunidades nascem plataformas modernas que além de todas as funcionalidades das plataformas existentes, buscam os maiores descontos para viagens de última hora ou antecipada, com taxa zero de comissionamento para os hotéis entre inúmeros benefícios. Além disso, os hotéis conseguem receber o valor líquido da diária e não pagar o imposto sobre o preço total, o que resulta em mais lucro para as empresas.

Essas ferramentas oferecem ainda, serviços para um público específico: aquele formado por pessoas que deixam para reservar hotéis de última hora. Trata-se de um público bastante importante. Afinal, pesquisas revelam que 50% dos viajantes no Brasil realizam suas reservas de última hora. E, sair para uma viagem sem reservar previamente o hotel sempre foi sinônimo de gastar além da conta, porém, existem plataformas e aplicativos que invertem essa realidade permitindo que seus usuários encontrem hotéis no mesmo dia da hospedagem com descontos bem atrativos.

O conceito last minute, ainda pouco difundido no Brasil, não é uma novidade na Europa ou nos Estados Unidos. Mas, mais que trazer a prática para o Brasil, nosso objetivo é chamar a atenção para o custo representado pelas agências de viagens. O brasileiro ja tem costume de deixar muita coisa para última hora! Não há dúvida que estas empresas contribuem para a hotelaria, principalmente para o marketing do setor. No entanto, é preciso debater os altos custos dessas operações. E esse ponto é parte decisiva de nossa atuação, mas não o único. Acreditamos que para apresentar um novo formato ao mercado hoteleiro nacional não adianta só apresentar uma recepção moderna, ter um bar descolado ou criar uma marca nova. É preciso atender as demandas dos novos públicos que valorizam muito o preço e a disponibilidade de ofertas. Hoje em dia, os clientes são muito mais dinâmicos. Ou seja, vivemos hoje uma experiência nova no mercado hoteleiro e foi aí que começamos a atuar para dar uso aqueles quartos que ficam vazios, gerando receitas para as empresas e oferecendo as melhores tarifas para os turistas. Afinal, um grande número de apartamentos desocupados representa despesas significativas para a empresa. Assim, nosso objetivo é gerar receita para os hotéis, a partir de uma experiência nova e aumentar a capacidade dos estabelecimentos de aumentar seus ganhos sem qualquer depreciação do produto.

O mercado de hotelaria no Brasil, passada a euforia gerada pela realização de grandes eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, passa por uma crise em algumas grandes cidades, sobretudo no Rio de Janeiro. São muitos quartos vazios que geram despesas e limitam as receitas. E um dos caminhos para reverter essa situação está justamente na adoção de ações que unam tecnologia, inovação, oferta de novas e boas possibilidades para turistas e hoteleiros, adequação de ferramentas aos bons serviços. Estamos diante de um novo momento, repleto de oportunidades e possibilidades, e é fundamental que todos os players do mercado de hotelaria comecem a agir e se movimentar nessa direção. Temos que democratizar cada vez mais os meios de hospedagens, seja para os turistas ou para os moradores que queiram sair da rotina e reservar um belo hotel na sua cidade!

*Bruno Guimarães é CEO do VisitNow

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