A segunda denúncia da PGR contra o deputado Dudu da Fonte

A segunda denúncia da PGR contra o deputado Dudu da Fonte

Ex-líder do PP na Câmara é acusado de cobrar propina da UTC para favorecer a empreiteira em contratos na Petrobrás

Isadora Peron, de Brasília

05 de agosto de 2016 | 13h30

dududafonte

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu mais uma denúncia no Supremo Tribunal Federal contra o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE). Desta vez, o parlamentar é acusado de receber propina para beneficiar a UTC Engenharia no esquema de  corrupção na Petrobrás. O ex-executivo da estatal Djalma Rodrigues de Souza também foi denunciado no caso.

O deputado, ex-líder do PP na Câmara, já foi denunciado em outro inquérito da Lava Jato, sob acusação tentar atrapalhar as investigações da CPI da Petrobrás no Senado, em 2009, ao intermediar o pagamento de propina de R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra (morto em 2014).

Nesta nova acusação, Janot diz que Eduardo da Fonte foi apresentado a Ricardo Pessoa por Djalma Rodrigues de Souza como um deputado que poderia ajudar a UTC a ganhar contratos no âmbito da chamada Petrocoque, controlada pela Petrobras. Em colaboração premiada que detalha o esquema, o presidente da UTC contou que recebeu deles a proposta do pagamento de propina para que a construtora tivesse preferência nas obras da Coquepar.

Depois de reuniões na sede da construtora em São Paulo, teria sido estabelecido o valor da propina. Segundo a denúncia, Ricardo Pessoa pagou R$ 300 mil solicitados por Eduardo da Fonte, sendo R$ 100 mil em espécie e R$ 200 mil em doações oficiais ao diretório estadual do Partido Progressista em Pernambuco, valor repassado à sua campanha de 2010 para o cargo de deputado Federal. Ricardo Pessoa apresentou documentos para confirmar o pagamento da propina.

Conforme explica o procurador-geral, a UTC realizou a proposta e os projetos correspondentes às obras na expectativa do cumprimento do acordo, investindo dinheiro para vencer o futuro contrato que lhe seria direcionado, mas as obras jamais se efetivaram. “A UTC não foi contratada para fazer as obras da Coquepar (porque nunca existiram) e Eduardo da Fonte nunca devolveu a vantagem indevida de R$ 300 mil”, diz.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE EDUARDO DA FONTE:

“O deputado Eduardo da Fonte, através da sua assessoria, informa que irá prestar todos os  esclarecimento ao STF e entende ser um absurdo o suposto chefe do cartel das empreiteiras levar um ‘passa-moleque’ de alguém”.

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