A saúde começa pela boca

A saúde começa pela boca

Vitor Abuharum
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24 de junho de 2021 | 03h00

Vitor Abuharum
. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

A pandemia da Covid-19 desencadeou diversas enfermidades ou agravou algumas já existentes. A saúde bucal dos brasileiros foi um dos aspectos que sofreu com durante o período. As mudanças na rotina de cuidados com a saúde bucal impactaram em maior incidência de cáries e doenças gengivais.

Para o Conselho Federal de Odontologia (CFO), o cenário é preocupante, considerando que a boca é uma das portas principais de entrada do coronavírus. A boa higienização da boca pode evitar, principalmente, problemas pulmonares que tornam o vírus ainda mais perigoso. No caso de pacientes contaminados com a Covid-19, a higiene bucal pode evitar complicações à saúde.

Os dentistas alertam que não realizar os exames radiográficos regulares por medo da COVID-19 impede que os problemas sejam detectados em seu início, aumentando a gravidade e levando aos tratamentos de canal e até mesmo perda de dentes.

O aparecimento da carie é causado pela má higienição oral. O fato de as pessoas estarem mais em casa, com a restrição de interação social, tende a reduzir os cuidados individuais com a higienição. Além disso, com o medo da pandemia, as pessoas diminuíram a visita ao dentista.

A melhor forma de prevenção da carie é escovação após a alimentação e visitas periódicas (recomenda-se a cada seis meses) ao dentista.

Um outro problema que se tornou mais frequente foi o Bruxismo, caracterizado pelo ranger ou apertamento exagerado dos dentes durante o dia ou à noite. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a disfunção afeta cerca de 84 milhões de brasileiros, equivalente a 40% da população do país.

Um estudo coordenado pelos programas de pós-graduação em Odontologia e Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) constatou que a prevalência do ranger de dentes do sono mais do que triplicou durante a pandemia, passando de 8% para 28%. Já a ocorrência do bruxismo em vigília – que ocorre quando estamos acordados – dobrou, saltando de 6% para 12%. Nesta primeira etapa, a pesquisa avaliou 50 alunos da universidade.

Felizmente, existem variadas opções para tratamento desse problema. A placa estabilizadora é uma placa de silicone ou acrílico moldadas no formato da arcada dentária que auxiliam com grande eficácia a reduzir o atrito entre os dentes. Outra alternativa é a aplicação da toxina botulínica (botox), que alivia a dor ao relaxar os músculos, atenuando sua contração.

Há ainda os tratamentos fora do consultório odontológico e que contribuem bastante quando associados a estes. A terapia psicológica é recurso para ajudar o paciente a tratar enfermidades como depressão e ansiedade, causadores do bruxismo. Além disso, o tratamento farmacológico que, em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicações para amenizar a dor ou tratar as doenças psiquiátricas associadas.

Embora o medo e as restrições impostas pela pandemia possam reduzir as visitas ao dentista, é preciso reforçar as recomendações para que os tratamentos e os cuidados com a saúde bucal não sejam comprometidos. Como porta de entrada para o vírus e doenças consequentes do processo pandêmico que vivemos, a saúde bucal deve ser tão atendida quanto a psicológica e física.

*Vitor Abuharum é diretor executivo da Cove Dental

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