“A saída pra ele melhor é a saída pelo Paraguai”, aconselha Delcídio sobre fuga de Cerveró

“A saída pra ele melhor é a saída pelo Paraguai”, aconselha Delcídio sobre fuga de Cerveró

Líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT/MS) - preso na manhã desta quarta-feira, 25, por ordem do Supremo Tribunal Federal - sugeriu que o ex-diretor da área Internacional Nestor Cerveró fugisse do País

Julia Affonso, Fausto Macedo, Andreza Matais e Beatriz Bulla

25 Novembro 2015 | 14h15

Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobrás. Foto: André Dusek/ Estadão

Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobrás. Foto: André Dusek/ Estadão

O líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT/MS) – preso na manhã desta quarta-feira, 25, por ordem do Supremo Tribunal Federal – sugeriu que o ex-diretor da área Internacional Nestor Cerveró fugisse do País pelo Paraguai. Em reunião com o advogado Edson Ribeiro, defensor de Cerveró, e o filho do ex-diretor da estatal, Bernardo Cerveró, o senador afirmou que era “a hora que ele sair tem que ir embora mesmo”.

“A saída pra ele melhor é a saída pelo Paraguai”, disse Delcídio.

Segundo o Ministério Público Federal, os interlocutores na conversa gravada “discutem, abertamente, meios e rotas de fuga de Nestor Cerveró do Brasil na hipótese de o STF lhe conceder ordem de habeas corpus”. A conversa foi gravada pelo filho de Cerveró, Bernardo, que participou de uma reunião com Delcídio e o advogado da família, Edson Ribeiro.

 

OUÇA O TRECHO EM QUE DELCÍDIO FALA SOBRE ‘FUGA PELO PARAGUAI’ A PARTIR DOS 15 MINUTOS

“Eles contemplam, ostensivamente, a finalidade de evitar nova custódia cautelar e a violação de dispositivo pessoal de monitoramento eletrônico (tornozeleira) – o senador Delcídio Amaral chega a sugerir que o Paraguai seria rota de fuga mais indicada, em vez da Venezuela, e que, para Nestor Cerveró chegar à Espanha por transporte aéreo privado, a aeronave indicada seria um Falcon 50, que “não para no meio”, isto é, não precisa fazer escala Técnica”, diz o procurador.

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O advogado Edson Ribeiro, embora ao final desse segmento da conversa ressalve que talvez fosse melhor “por enquanto” que Nestor Cerveró não deixasse o Brasil, mostra-se integralmente disposto a auxiliar na fuga, não só discutindo rotas e meios, como também mencionando a que empresa Rico Linhas Aéreas pertence a amigo seu, que poderia ser acionado. Confira-se o impressionante segmento em que um Senador da República discute abertamente, incentiva e dá sugestões sobre as perspectivas de fuga de Nestor Cerveró para a Espanha, ainda que ele venha a estar sob monitoramento mediante tornozeleira eletrônica

Segundo o Ministério Público Federal, o senador ofereceu a Bernardo Cerveró auxílio financeiro, no importe mínimo de R$ 50 mil mensais à família de Nestor Cerveró. O parlamentar prometeu “intercessão política junto ao Poder Judiciário em favor de sua liberdade, para que ele não entabulasse acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal”.

Procuradoria afirma que o líder do governo “contou com o auxílio do advogado Edson Ribeiro, que, embora constituído por Nestor Cerveró, acabou por ser cooptado pelo congressista”. Segundo Janot, o advogado Edson Ribeiro passou, efetivamente, a proteger os interesses do senador.

“O advogado Edson Ribeiro recebeu do senador Delcídio Amaral, a certa altura das tratativas, a promessa de pagamento dos honorários que convencionara com Nestor Cerveró, cujo valor era de R$ 4 milhões”, apontou Janot.

Preso de desde janeiro deste ano, Cerveró já foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato.

No último dia 18, após intensas negociações, Cerveró fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Era esse o temor de Delcídio. O líder do governo tinha receio de que Cerveró o envolvesse no esquema de propinas na Petrobrás, estatal onde o petista trabalhou no setor de Óleo e Gás, no governo Fernando Henrique Cardoso.

COM A PALAVRA, A DEFESA DO SENADOR DELCÍDIO DO AMARAL

Nota Oficial

A defesa do Senador Delcídio do Amaral (PT-MS) manifesta inconformismo em relação à decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal e a convicção de que o entendimento inicial será revisto. Questiona-se o fato de que as imputações tenham partido de um delator já condenado, que há muito tempo vem tentando obter favores legais com o oferecimento de informações. Questiona-se também a imposição de prisão a um Senador da República que sequer possui acusação formal contra si. A Constituição Federal não autoriza prisão processual de detentor de mandato parlamentar e há de ser respeitada como esteio do Estado Democrático de Direito.

Maurício Silva Leite, advogado do Senador Delcídio do Amaral

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