A revolução nada silenciosa do áudio

A revolução nada silenciosa do áudio

Luiz Felipe Marques*

11 de fevereiro de 2021 | 03h00

Luiz Felipe Marques. FOTO: DIVULGAÇÃO

Desde a popularização dos smartphones e tablets, as telas tornaram-se cada vez mais presentes na vida de todos. Nos últimos anos, um dos traços de comportamento mais comentado foi o das “segundas (e até terceiras) telas”, que fizeram companhia às tevês e computadores, a partir da explosão das redes sociais e plataformas de streaming.

No entanto, um outro formato que, por muito tempo, foi preferência na hora de consumir informação e entretenimento passa por um novo período. Com suas características simples e ao mesmo tempo muito poderosas, o áudio voltou ao hábito e à cabeça das pessoas – por meio dos clássicos fones de ouvido, até os modernos modelos sem fio e passando pelas Alexas e Siris.

Pelo lado dos devices, o momento já é único. Os fones inteligentes da Apple, os AirPods, já significam USD 18 bilhões de receita para a empresa globalmente. Do lado dos assistentes de voz, a popularidade também cresce em rimo acelerado, com destaque para o Amazon Echo (aparelhos que trazem as famosas Alexas), produto que ganhou os holofotes e nas recentes edições brasileiras da Black Friday.

Ambos os casos mostram as Big Techs focadas em uma experiência que tem a combinação áudio e voz como protagonista, ampliando seus usos e possibilidades.

Pelo lado do conteúdo, a revolução é ainda maior e nada silenciosa. O mercado de podcasts já alcança cifras bilionárias no mundo todo, além de uma massa ávida por mais e mais conteúdos e formatos.

Nos Estados Unidos, país que lidera os rankings de consumo e produção de podcasts, mais de 100 milhões de pessoas ouviram ao menos um episódio em 2020. No Brasil, segundo maior mercado do mundo, estima-se que 20 milhões de brasileiros escutem o formato todos os dias, enquanto mais de 60 milhões já escutaram ao menos uma vez.

Neste sentido, a produção, que já era grande, aumentou e se qualificou ainda mais no último ano. Hoje, já são mais de um milhão de podcasts ativos no mundo e mais de 30 milhões de episódios disponíveis para os ouvintes. No Brasil, números apontam que a oferta de podcast triplicou nos últimos dois anos, ou seja, a famosa promessa de que “todo ano seria o ano do podcast” finalmente foi cumprida, com uma consolidação do mercado.

E ainda há muito pela frente. Sublinho, em especial, dois grandes caminhos: o da monetização; e a vinda de novos formatos de conteúdos em áudio.

A remuneração direta, por streaming, a quem produz conteúdo em podcast é essencial, visto que auxilia em todo o processo da cadeia produtiva. A dinâmica é a mesma já aplicada há anos em mercados como os de música e de vídeo.

Já dentro da ideia de inovações, que também considero como evolução natural do mercado, os destaques vão para a criação de conteúdos ainda menos explorados no país, mas já consagrados em outras mídias – dramaturgia, talvez como grande exemplo. E, ainda mais especialmente, novos formatos. Nisso, a grande aposta fica para possibilidades de conteúdo ao vivo e interativo, que ampliam as possibilidades para quem cria e para quem escuta.

De todo modo, o que se pode perceber é que, se antes o áudio era presente na vida das pessoas por uma questão de condição – a era do rádio e pré-telas –, hoje, o formato volta com muito mais força, por uma questão de preferências das pessoas na hora de consumir informações, passar o tempo e se divertir, em momentos em que as telas são prescindíveis e a liberdade e mobilidade, desejáveis. Mais do que isso, o caráter acessível e democrático inerente ao áudio, somados à grande qualidade de sua oferta de conteúdo fazem ainda mais sentido, num momento em que, com tanto barulho, desinformação e fake news, as pessoas escolhem por parar e escutar um pouco mais.

*Luiz Felipe Marques, fundador da Orelo

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.