A retomada das franquias: financiamentos agora são possíveis, mas elas precisam fugir do tradicional 

A retomada das franquias: financiamentos agora são possíveis, mas elas precisam fugir do tradicional 

Renato Douek*

09 de outubro de 2020 | 11h38

Renato Douek. Foto: Divulgação

Outubro de 2020, Brasil. O mercado começa a retomada dos negócios que ficaram quase que totalmente suspensos durante seis meses de quarentena em razão do Covid-19 e o setor de franquias é um dos que começam a se agitar com a reabertura gradual do comércio em todos os estados do país. Temos, aí, milhões de pequenas e médias empresas lutando por um lugar ao sol após tanto tempo de céu nublado.

De acordo com informações da Associação Brasileira de Franquias (ABF), após um ano bom em 2019 – que registrou faturamento 6,8% maior que o de 2018, além de um crescimento de quase 5% no número total de unidades em atividade, totalizando mais de 160 mil operações no país – 2020 chegou derrubando muitas dessas conquistas. Depois de um período difícil no 2º trimestre, o setor de franquias acelerou sua retomada em julho, mas ainda assim registrou uma redução média de faturamento de 7,2% em relação ao mesmo período de 2019. Foi o terceiro mês consecutivo de redução de perdas, e vale destacar ainda que a taxa de julho é significativamente menor do que a média do trimestre anterior, que foi de 39,76%.

Agora, será que é um momento oportuno para se buscar financiamento? Penso que sim e mais, é essencial buscar linhas de crédito agora. O problema é que ao mesmo tempo em que é oportuno, estamos em um cenário extremamente concorrido para esse tipo de transação, e pouca gente está efetivamente conseguindo o crédito de que necessita, principalmente por ficarem presos às instituições financeiras mais tradicionais. Um estudo recente publicado pelo Sebrae em conjunto com a FGV revelou que a crise econômica pós-pandemia fez com que bancos e instituições financeiras aumentassem bastante as exigências para a liberação de crédito, principalmente para as pequenas e médias empresas. Se já era difícil conseguir empréstimo nas instituições financeiras tradicionais, agora ficou ainda mais complicado. Assim, muitos empresários que solicitaram empréstimos em 2020 não tiveram êxito: no mês de julho por exemplo, menos de 20% das PMEs que solicitaram capital para manter os negócios em funcionamento conseguiram a liberação. Antes disso, em junho, a taxa de sucesso foi ainda menor, ficando em apenas 16%.

Claro que esse aumento de um mês para o outro na porcentagem de empresas que conseguiram crédito indica um cenário um pouco melhor, mas o ritmo de concessão ainda está muito abaixo do que deveria ser para realmente gerar um impacto positivo neste segmento tão importante para o contexto econômico nacional.

Juntas, atualmente as PMEs representam 97% dos empreendimentos e são responsáveis por quase 30% do PIB do país, além de responderem por 52% dos empregos formais (dados do Ministério da Economia). É um mercado promissor, mas que precisa de ajuda e precisa saber que há caminhos legais e alternativos para se conseguir financiamento de forma mais rápida e prática, que não demoram 60, 90 ou até mais dias para se ter acesso ao recurso solicitado. Atualmente, já é possível conseguir a liberação do crédito em 15-20 dias. 

O ponto principal é que os dados publicados pelo Sebrae, que traduzem a busca por financiamento das PMEs como um todo, também apontam que 80% dos negócios de pequeno porte buscam crédito apenas nos cinco principais bancos do país. Ou seja: a percepção míope do mercado de financiamento faz com que essas empresas deixem de procurar outras instituições, como as cerca de 900 cooperativas de crédito, mais de 30 Fintechs e 600 empresas simples de crédito atuando nacionalmente.

Enfim, a hora da retomada é agora. E, a partir daqui, vou voltar a atenção especificamente às franquias e às Fintechs de crédito, que vêm ganhando cada vez mais relevância no setor de financiamento para empresas.

Por maior que seja a necessidade pela busca de crédito, existem algumas recomendações fundamentais para que o empreendedor possa escolher a linha de financiamento mais adequada para o seu negócio. As dicas que darei a seguir, não apenas facilitam o processo de análise por parte da empresa que dará o crédito, como agilizam bastante o processo todo, fazendo com que a resposta e, caso aprovada a linha, o recurso sejam liberados de forma mais rápida. 

Atuando neste mercado há bastante tempo, posso listar aqui quatro pontos que considero cruciais e devem ser observados pelas franquias antes de solicitar um financiamento que traga o fôlego necessário ao negócio para que ele volte a crescer.

  1. Tenha os números da sua empresa organizados. A parte do levantamento de documentação na solicitação de um financiamento possui grande influência na aprovação do crédito. Com os números organizados, o empresário aumenta consideravelmente as chances de ter uma linha aprovada e certamente terá uma resposta mais rápida. Por isso, é muito importante que o gestor tenha controle sobre a saúde financeira da empresa, o fluxo de caixa, faturamento, receita e despesas. Isso também vai ajudar o empreendedor a entender qual valor dentro do seu fluxo de caixa poderia ser comprometido em uma parcela de um financiamento. Não é recomendado que esse número passe de 30%.
  1. Pesquise quais são suas opções para tomada de crédito. Comparar as condições das propostas disponíveis é importante, passando pelas instituições financeiras mais tradicionais às digitais.
  1. Tenha projeções e planejamento do negócio. A capacidade de olhar para frente com segurança e com uma boa visão sobre sua operação, possíveis quedas ou subidas pelo caminho, além de muito conhecimento sobre o próprio mercado são importantes para uma boa saúde financeira no longo prazo.
  1. Por último, a recomendação principal: Entenda a importância do Custo Efetivo Total (CET). Este é um dos valores mais importantes na decisão de tomada de crédito. Pois, além da taxa de juros da operação, ele contempla impostos, tarifas e taxas administrativas cobradas pela instituição que realiza o empréstimo. É muito importante ressaltar que nem sempre uma linha de financiamento com taxa de juros mais baixa, implicará em uma operação de crédito mais barata para a empresa. Por isso, é importante olhar sempre o CET e não apenas a taxa de juros da operação, também conhecida por taxa nominal. Ter esse conhecimento é fundamental para comparar as ofertas de bancos, cooperativas e Fintechs que oferecem o serviço.

Tendo ciência a respeito das alternativas possíveis e total conhecimento sobre suas diferenças – das sutis às mais gritantes – as empresas que precisam de financiamento passam a ter muito mais propriedade e segurança ao escolher a melhor linha de crédito para contratar um financiamento sem comprometer o caixa.

O momento da retomada é agora. A economia está se levantando e aquecendo e, sem sombra de dúvidas, #JuntosSomosMaisFortes.

 *Renato Douek é CEO e fundador da Kavod Lending

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