A responsabilidade social do auditor independente

A responsabilidade social do auditor independente

Carlos Pires*

01 de dezembro de 2020 | 09h10

Carlos Pires. FOTO: DIVULGAÇÃO

A recente celebração do Dia do Contador, no dia 22 de setembro, gerou mais uma oportunidade de reflexão sobre as conquistas desses profissionais e, também, os desafios enfrentados pela categoria. Considerando que os auditores independentes também são contadores por formação, a data inspirou análises sobre a carreira destes profissionais e as condições que eles têm de contribuir para uma sociedade mais justa.

A reflexão ganha mais relevância se integrada com a celebração do Dia do Professor, no dia 15 de outubro, afinal só é possível ter uma sociedade pujante e um País que cresce por meio da educação. O auditor independente, com as suas atribuições, também pode ser um agente social que compartilha conhecimento e trabalha em prol da comunidade.

Fazendo um resgate breve à formação deste profissional, é preciso que a educação continuada esteja em seu cotidiano, pois a profissão requer muito conhecimento e é necessário estar atualizado das dinâmicas estruturais da contabilidade e da auditoria, incluindo os elementos técnicos.

Já o profissional é aquele que promove credibilidade às informações contábeis disponibilizadas pelas companhias, por meio de sua atuação independente. É uma profissão altamente dinâmica, inserida em um mercado de trabalho com oportunidades interessantes.

Contudo, o perfil do auditor está em constante mudança e a profissão em constante transformação. O apelo tecnológico veio para ficar e, tanto a sociedade civil, quanto empresas e profissionais, tiveram que migrar para o digital com muita rapidez. A pandemia tem acelerado esse processo de incorporação de tecnologia aos processos de auditoria e a profissão continua investindo fortemente em ferramentas que possibilitem uso amplo de análise de grandes bancos de dados, inteligência artificial e outros recursos que são necessários em uma sociedade em transformação. É uma transformação definitiva que seguirá mudando para sempre o mercado de trabalho.

Além da tecnologia, mais acessível aos jovens em começo de carreira, com impactos no perfil do profissional, o escopo de atuação também está se ampliando. Além da opinião sobre demonstrações financeiras, o auditor está trabalhando cada vez mais de forma integrada nas organizações.

Uma das atuações é em Governança Corporativa com o objetivo de assegurar demais informações que companhias levam ao mercado. Além disso, a profissão tem sido constantemente demandada em sua atuação para avaliar informações que forneçam entendimento sobre as perspectivas futuras de uma companhia (forward-looking) e não somente opinião sobre suas informações históricas. Tudo isso em um ambiente que requer muito conhecimento técnico especializado, mas também versatilidade e habilidades digitais.

O profissional de agora tem seguramente um amplo campo de atuação em uma especialização que vem se transformando com agilidade e, associado ao alinhamento do Brasil com as normas internacionais de contabilidade e auditoria, tem facilitado a geração de oportunidades de trabalho no Brasil e no exterior. A interação do auditor cada vez mais frequente com profissionais de diversos países atuando em grupos multinacionais também tem contribuído para um maior intercâmbio de conhecimento e experiências, os quais ampliam a disseminação de conhecimento e maior consistência na nossa atuação profissional.

Tudo isso gera uma reflexão sobre o perfil do profissional, uma vez que auditoria requer especialização. Hoje, a expectativa das empresas é ter profissionais com força de vontade, disposição para aprender, adaptabilidade, elevado dinamismo, capacidade de interagir em grupos multidisciplinares, vontade de transformar e fazer algo diferente, sempre com qualidade e propósito.

São condutas relevantes para que o propósito colocado em cada ação contribua para o mercado ter empresas saudáveis, transparentes, que gerem empregos, atuem com sustentabilidade e ajudem a transformar o Brasil em um lugar melhor para todos.

Retomando as discussões iniciais sobre o Dia do Contador e o Dia do Professor, a educação e a contabilidade, quando atuam em parceria, são fundamentais para a transformação da sociedade. O conhecimento é determinante para ajudar a transformar o Brasil e levar nossa sociedade para uma merecida posição de relevância. Com uma sociedade forte e profissionais altamente capacitados, será possível transformar pessoas, estruturas, instituições e o próprio Brasil.

*Carlos Pires é sócio-líder de Auditoria da KPMG no Brasil e na América do Sul, membro do Comitê Executivo da KPMG no Brasil e do Comitê Global de Auditoria da KPMG

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