A resistência de mulheres no Oriente Médio

A resistência de mulheres no Oriente Médio

Andrea Costa*

29 de agosto de 2021 | 08h00

Andrea Costa. FOTO: DIVULGAÇÃO

Com a chegada do grupo Talibã no Afeganistão, surge também uma série de desconfianças da população, em especial das mulheres, que temem perder os seus direitos sociais e econômicos que foram conquistados nas últimas duas décadas.  O Talibã possui um perfil mais radical e é restrito a lei islâmica, que restringe severamente os direitos femininos.

A última vez que o governo Talibã esteve na gestão do Afeganistão, entre 1996 e 2001, gerou consequências asquerosas, como o fundamentalismo religioso, o atraso educacional e científico e, especialmente, maior desigualdade de gênero.

E ao contrário do que se possa imaginar, isso não ocorre apenas no Afeganistão, mas também no interior de outros países da região, onde as mulheres não podem sair sozinhas sob o risco de sofrerem as mais diversas violências, incluindo física e sexual.

Nesses últimos dias, com a nova invasão do Talibã, já há diversos relatos de mulheres sendo obrigadas a usarem burcas para cumprir com as regras do grupo de que elas devem ficar cobertas e, além disso, serem acompanhadas por um parente do sexo masculino quando precisarem sair de casa. A burca representa a perda de direitos conquistados ao longo de 20 anos, o que as mulheres temem, agora, nunca mais serem reconquistados.

Também após a chegada do Talibã ao país, fotos nas redes sociais mostram a retirada de imagens de mulheres sem véu, maquiadas e com vestidos de festa que estavam expostas nas vitrines comerciais.

Um exemplo de luta e resistência é o caso da paquistanesa Malala Yousafzai que, em 2012, foi baleada ao voltar da escola e se tornou um símbolo da luta das mulheres por igualdade. Sabe-se que uma das melhores formas de manter o controle sobre as mulheres é impedi-las de se desenvolverem, é tolhendo-as do direito à educação e ao trabalho para o seu sustento e de sua família.

O olhar atento ao que está ocorrendo no local deve ser mantido, com os organismos internacionais cobrando a manutenção do acordo anterior firmado, em que se manteriam os direitos adquiridos pelas mulheres, englobando o de estudar e trabalhar.

Infelizmente, regressões nesse sentido apenas comprovam que o mundo ainda tolera a violência contra a mulher e permite que continuem sendo consideradas inferiores aos homens. O mundo ainda precisa que continuemos a enfrentar toda e qualquer violência contra as mulheres. É uma luta de todos por todas.

*Andrea Costa, professora universitária de Penal e Processo Penal, e sócia-fundadora do escritório LCS Consultoria e Advocacia

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