A relação do coronavírus e conjuntivite

A relação do coronavírus e conjuntivite

José Beniz*

17 de março de 2020 | 06h00

José Beniz. FOTO: DIVULGAÇÃO

A Organização Mundial de Saúde acaba de declarar pandemia mundial de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). Isso se deu após o órgão constatar que o número de pacientes infectados e de países atingidos deve aumentar bastante nos próximos dias e semanas.

O mecanismo de transmissão do vírus acontece através de gotículas, que são levadas até as mucosas da face por nossas mãos. Lembramos muito da boca e do nariz, porém os especialistas do Conselho Brasileiro de Oftalmologia são unânimes em alertar para o fato de que a conjuntiva, membrana mucosa que cobre parte do globo ocular atrás das pálpebras, é a “porta de entrada” do novo vírus no corpo.

Recentemente, a Academia Americana de Oftalmologia já tinha alertado para o fato de que o novo coronavírus possa causar conjuntivite e possivelmente ser transmitido pelo contato com a conjuntiva.

Embora não seja um dos sintomas mais comuns do 2019-nCoV, os oftalmologistas devem seguir algumas recomendações para agirem rápida e eficientemente no caso de serem os primeiros especialistas a avaliar pacientes possivelmente infectados.

Caso o paciente esteja com suspeita de conjuntivite, isto é, vermelhidão nos olhos, lacrimejamento ocular, pálpebras inchadas, secreção purulenta, sensação de areia, coceira ou fotofobia deve procurar imediatamente um oftalmologista. Se além dos sintomas nos olhos, o paciente também apresentar problemas respiratórios, a primeira coisa que o médico deve fazer é perguntar se ele viajou para o exterior ou teve contato com alguém que tenha viajado, pois ele pode ser considerado suspeito de ter o coronavírus. Neste caso, o oftalmologista deve proteger a boca, o nariz e os olhos adequadamente e assim evitar a maior proliferação da doença.

*José Beniz, presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia

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