A reforma da Previdência não é do governo. É do País!

Gustavo Bonini Guedes*

10 Novembro 2017 | 15h24

O noticiário dos últimos dias, após sobrestada a segunda denúncia contra o Presidente Michel Temer, dedicou-se à dificuldade que o Governo enfrentará na aprovação das reformas anunciadas desde que assumiu o cargo, em agosto de 2016.

Ocorre, entretanto, que se equivoca quem afirma pertencer a reforma previdenciária – assim como a tributária e mesmo a já aprovada trabalhista – ao Governo. As notícias seguem, e em coro a opinião pública, como se apenas ao Palácio do Planalto interessasse, quase que um capricho do Presidente. Engano. As reformas, sobretudo a da previdência, deveriam ser um objetivo do país. Dos brasileiros.

Veja-se que por mais paradoxal possa ser, nem o mais contrário dos parlamentares nega a necessidade da reforma previdenciária. Discute-se tão somente os critérios, idades e categorias alcançadas. Sua importância, nunca. Porque a questão é matemática. Não há como suportar mais seus rombos anuais – só em 2017 na casa dos 150 bilhões de reais.

Logo, não se deveriam tratá-las como disputa política. Vitória ou derrota seriam do país. Não do Governo. Não do Presidente Temer. Mas sim da sociedade!

De se destacar ainda, noutra notícia muito explorada nos últimos dias, que a Câmara Federal ganhara força. Passaria a ser mais protagonista, certamente em decorrência da característica parlamentarista do Presidente Michel Temer e que vem, por decorrência, protagonizando cada vez mais o Deputado Rodrigo Maia. E nenhum mal há isso. Ao contrário.

O Presidente da Câmara, também responsável pela reforma – como os demais deputados e senadores – deve sim ter função destacada no processo. E aparenta mostrar-se muito bem preparado, como quando, recentemente, com rara felicidade expressou números e características da dívida previdenciária. Tudo a justificar, com mais razão, a necessária reforma.

Rodrigo Maia, assim como Eunício Oliveira, Michel Temer, Deputados e Senadores, se aprovada a reforma previdenciária, terão contribuído com o país. Com as gerações futuras e a saúde econômica do país, fundamental para que em 2019 o próximo Presidente eleito possa se concentrar em temas diversos da dívida pública. Nenhuma vitória ou derrota serão pessoais. Nem do Presidente da República, da Câmara ou Senado. Será de todos nós, especialmente das futuras gerações, privadas das melhorias necessárias ao crescimento do país.

Enfim, precisamos ultrapassar essa barreira fiscal de uma vez por todas e dedicar-se aos temas que impactam diretamente na vida cotidiana de cada brasileiro. Pois aí sim teríamos duzentos milhões de vitoriosos. E todos do partido chamado Brasil!

*Gustavo Bonini Guedes, 35, é advogado, especialista em Direito Público e Ex-presidente do Instituto Paranaense de Direito Eleitoral

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