A que preço?

A que preço?

Leia o relatório da organização internacional Global Witness - divulgado pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão - que aponta o Brasil como líder do ranking de assassinatos de defensores do meio ambiente em 2017

Redação

26 de julho de 2018 | 11h08

Foto: Reprodução

Pelo menos 207 defensores da terra e do meio ambiente foram assassinados em 2017. Do total de crimes, quase 60% ocorreram na América Latina. Somente no Brasil, foram registradas 57 mortes durante o período analisado – 80% contra quem tentava proteger as riquezas naturais da Amazônia -, tornando o país líder mundial no ranking da letalidade, seguido pelas Filipinas (48) e pela Colômbia (24).

Documento

As informações foram divulgadas pela Assessoria de Comunicação e Informação da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF), braço do Ministério Público Federal.

Esse é o cenário apresentado no relatório ‘A que preço?’, divulgado na terça-feira, 24, pela organização internacional Global Witness.

De acordo com o documento, entre os motivos do acirramento dos conflitos brasileiros ‘está o enfraquecimento das leis e instituições destinadas à proteção dos direitos à terra e dos povos indígenas’.

O modelo de agronegócio adotado por diversos países também aparece no relatório como ‘fator de aumento das desigualdades sociais e estímulo à impunidade dos agentes envolvidos nos conflitos, levando a uma sequência de crimes contra ativistas no ano passado’.

Outro alerta se refere à vulnerabilidade de grupos específicos. Embora menos indígenas tenham sido mortos em 2017, caindo de 40% para 25% em relação a 2016, muitos continuam na mira dos agressores. “E não são apenas assassinatos: em um dos ataques mais brutais, os indígenas Gamela foram agredidos com facões e rifles por fazendeiros brasileiros, deixando 22 deles gravemente feridos, alguns com as mãos decepadas”, denuncia a organização.

Quanto às mulheres, muitas enfrentaram ameaças específicas de gênero, incluindo violência sexual, tendo sido frequentemente submetidas a campanhas de difamação, recebendo ameaças contra seus filhos e tentativas de minar sua credibilidade – muitas vezes, dentro de suas próprias comunidades, ‘onde culturas machistas podem impedir as mulheres de assumir posições de liderança’.

A organização pede responsabilização dos envolvidos nos crimes, estimulando o Ministério Público Federal a federalizar casos emblemáticos ‘cujas investigações não estejam progredindo de forma adequada no âmbito local, visando garantir a imparcialidade e a criação de um ambiente seguro para as testemunhas’.

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