‘A que ponto chega o ódio cego e visceral’

‘A que ponto chega o ódio cego e visceral’

Celso de Mello chamou de ‘fundamentalismo político’ advogada que incitou nas redes o estupro e o assassinato das filhas de ministros do Supremo Tribunal Federal

Pedro Prata

12 de novembro de 2019 | 15h15

O decano Celso de Mello, do Supremo, chamou de ‘ódio cego e visceral, quando não patológico’ a publicação nas redes da advogada gaúcha Cláudia Teixeira Gomes que pregou: ‘estuprem e matem as filhas dos Ordinários ministros do STF’.

O ministro disse por meio de nota. “A que ponto chegam o ódio cego e visceral, quando não patológico, a irracionalidade do comportamento humano e o fundamentalismo político daqueles que, podendo legitimamente criticar, de forma dura e veemente, posições antagônicas, tal como lhes permite a Constituição da República, optam, no entanto, por incitar práticas criminosas.”

O decano do Supremo condena aqueles que ‘optam por incitar práticas criminosas’. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Celso de Mello avalia que a conduta da advogada constitui delito de incitação pública a crime, conduta tipificada no artigo 286 do código penal e ‘perseguível mediante ação penal pública incondicionada!’

Cláudia vai ser intimada para depor no inquérito das fake news – investigação sobre manifestações hostis e ameaças aos magistrados da Corte máxima.

Ela fez os comentários depois que o STF enterrou a prisão na segunda instância. Por seis votos a cinco, os ministros decidiram que condenado só pode ir para a cadeia esgotados todos os recursos – trânsito em julgado.

Nesta segunda, 11, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul, Ricardo Breier, encaminhou um ofício ao Tribunal de Ética e Disciplina da entidade para cobrar ‘providências imediatas’ sobre a manifestação de Cláudia.

COM A PALAVRA, CLÁUDIA TEIXEIRA GOMES

A reportagem busca contato com a advogada Cláudia Teixeira Gomes. O espaço está aberto para manifestação. (pedro.prata@estadao.com)

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