‘A primeira avaliação feita é a cor da pele’, diz influenciador negro que transmitiu ao vivo abordagem policial no Rio

‘A primeira avaliação feita é a cor da pele’, diz influenciador negro que transmitiu ao vivo abordagem policial no Rio

Dono da página Carioquice Negra, Júlio de Sá registrou boletim de ocorrência após ter sido alvo de abordagem policial considerada racista no Centro do Rio

Redação

20 de novembro de 2021 | 12h03

O influenciador Júlio Sá ao lado dos advogados Joel Luiz Costa e Djeff Amadeus após registrar boletim de ocorrência. Foto: Reprodução

O influenciador Júlio de Sá, ativista do movimento negro, registrou boletim de ocorrência após ter sido alvo de uma abordagem policial considerada racista no Centro do Rio. O episódio foi transmitido ao vivo aos seus mais de 194 mil seguidores na página Carioquice Negra no Instagram.

Responsáveis pela defesa do influenciador, os advogados Joel Luiz Costa e Djeff Amadeus, do Instituto Defesa da População Negra (IDPN), registraram o caso como crime de preconceito. Costa classificou a ação policial como ‘violenta e arbitrária’.

No vídeo, dois policiais militares do Centro Presente, força-tarefa de policiamento de proximidade que atua na região central do Rio, abordam o influenciador na saída de uma loja de departamentos alegando que ele teria um ‘volume na cintura’. Os agentes também tentam justificar a abordagem dizendo que Júlio ‘saiu muito rápido’ do estabelecimento e ‘não comprou nada’. A ação aconteceu na tarde da última quarta-feira, 17.

“Duas horas da tarde. Eu tenho certeza que se fosse tarde da noite, a situação como foi, talvez eu não teria nem tempo para abrir uma live para falar o que está acontecendo”, afirma o influenciador na gravação. Após o episódio, ele contou que decidiu fazer a transmissão ao vivo para se defender. “A primeira avaliação feita é a cor da pele”, lamenta Júlio.

Depois que o influenciador contestou a justificativa da abordagem e se recusou a informar seus dados aos policiais, eles chamaram reforço de mais quatro agentes para conduzi-lo contra a vontade até a 5.ª DP (Centro). Ao ser questionado sobre o motivo da condução, um dos policiais militares diz que o influenciar ‘incorreu no crime de desobediência’.

“O senhor está desobedecendo uma ordem legal que está sendo dada do senhor. É só identificação, o senhor não quis, então o senhor está incorrendo no crime de desobediência. Aí lá na delegacia o senhor vai tomar melhor ciência do fato”, responde.

Diante da resistência do influenciador em entrar sozinho na van com os policiais, os agentes dizem que ele está ‘caçando quizumba’ e ‘vai entrar, por bem ou por mal’. “Eu não quero usar de meios de força”, afirma um dos agentes.

Em nota, a PM do Rio informou que, na delegacia, ‘nada foi constatado’ e o influenciador foi liberado. A corporação também afirma que ‘as abordagens policiais são realizadas conforme previsto em lei’. “Os policiais e agentes da operação são orientados e a cor da pele não é escolha para abordagem policial”, diz o texto.

COM A PALAVRA, A POLÍCIA MILITAR DO RIO

“Os policiais do Centro Presente estavam patrulhando a região na tarde de ontem (17) quando suspeitaram de um rapaz que, segundo eles, demonstrou insatisfação com a aproximação policial e pareceu querer se desvencilhar dos agentes entrando em uma loja.

Os policiais se aproximaram do rapaz e pediram que ele se identificasse, mas ele se recusou e foi conduzido à delegacia, conforme procedimento padrão. Na DP ele foi identificado, nada foi constatado e foi liberado em seguida

Vale ressaltar que o foco da Operação Segurança Presente é o atendimento à população e as abordagens policiais são realizadas conforme previsto em lei. Os policiais e agentes da operação são orientados e a cor da pele não é escolha para abordagem policial.

As abordagens não são pautadas por cor da pele, orientação sexual, religiosa, de gênero ou qualquer fator pessoal, mas a partir de denúncias ou comportamentos que podem representar algum risco à coletividade”

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