‘A Polícia Federal não trabalha para qualquer partido’, diz delegado da Lava Jato

‘A Polícia Federal não trabalha para qualquer partido’, diz delegado da Lava Jato

Luciano Flores de Lima, da equipe de investigadores em Curitiba, afirmou que apurações não dão chance para sofrer influência política', ao comentar conversa de ministro do Planejamento, Romeró Jucá, com ex-presidente da Transpetro

Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

23 de maio de 2016 | 12h00

Delegado Luciano Lima. Foto: Sylvio Sirangelo/TRF4

Delegado Luciano Lima. Foto: Sylvio Sirangelo/TRF4

O delegado da Polícia Federal Luciano Flores de Lima, da equipe da Operação Lava Jato, em Curitiba, afirmou que a corporação não “trabalha” para partidos e que está isenta de interferências políticas que possam interferir nas descobertas de corrupção sistêmica descoberta no governo, a partir da Petrobrás.

“A Polícia Federal não trabalha para qualquer partido e sim para o Brasil, como acontece com o Ministério Público Federal e a Receita Federal”, afirmou o delegado, durante entrevista, em Curitiba, na manhã desta segunda-feira, 23, quando foi deflagrada da 29ª fase batizada de Operação Repescagem. Foi preso o ex-assessor do PP João Cláudio Genu.

Na coletiva, os delegados da Lava Jato foram questionados sobre o conteúdo de um áudio gravado de conversa entre o ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado – indicado do PMDB. Divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo, o diálogo sugere interferência política nas investigações da polícia.

“Não damos chance para sofrer esse tipo de influência política, como eu, particularmente, nunca testemunhei na Polícia Federal.”

Segundo Lima, a Lava Jato “sempre é baseada em fortes indícios, em provas contundentes”, propiciando que Ministério Público Federal faça denúncias baseadas em fatos concretos e que o Poder Judiciário possa julgar com abundância de provas, condenando quem tiver que ser condenado, absolvendo quem tiver que ser absolvido.

“Por essa razão a Lava Jato tem o apoio popular, apoio do povo que dá legitimidade para as instituições, como é a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para serem cada vez mais fortes e terem autonomia necessária para continuar investigando de maneira imparcial.”

O delegado Igor Romário de Paula, chefe da equipe de delegados da Lava Jato, também refutou a possibilidade de interferência nas investigações. “Não existe qualquer indício que tenham influência negativa na Lava Jato. Está claro que a Lava Jato não foi e não será barrada por qualquer pessoa no País.”

 

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